
Medida permite que pessoas que elevem a renda pelo emprego ou empreendedorismo permaneçam no programa por até dois anos – Fotos: Roberta Aline/ MDS
Um levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) revela que 69,5 mil famílias deixaram de precisar do Bolsa Família em Mato Grosso do Sul desde março de 2023. O desligamento do programa ocorreu após os beneficiários conquistarem autonomia financeira por meio do emprego com carteira assinada ou do empreendedorismo.
Apenas no mês de maio, mais de 2,4 mil lares sul-mato-grossenses saíram do programa. Atualmente, o estado conta com 184,8 mil pessoas inseridas na folha de pagamento do benefício, cujo valor mínimo é de R$ 600, mas que pode superar R$ 1 mil dependendo de condicionalidades como a presença de gestantes, bebês e crianças em idade escolar.
Capital lidera desligamentos no estado
O movimento de superação da pobreza urbana se concentra com maior força nos principais polos econômicos de Mato Grosso do Sul. Campo Grande liderou o ranking estadual de saídas em maio, com 623 famílias deixando o programa.
Confira os dez municípios de MS que registraram o maior número de famílias emancipadas no último mês:
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Campo Grande: 623
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Dourados: 163
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Ponta Porã: 90
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Três Lagoas: 89
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Corumbá: 84
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Naviraí: 72
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Sidrolândia: 66
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Aquidauana: 58
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Aparecida do Taboado: 57
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Amambaí: 55
O impacto nacional e o mito do “comodismo”
O cenário observado em Mato Grosso do Sul reflete uma tendência nacional. Entre março de 2023 e maio de 2026, mais de 5,1 milhões de famílias ampliaram suas rendas e deixaram o Bolsa Família em todo o Brasil. No topo da lista dos estados com maior volume de saídas acumuladas estão São Paulo (745,6 mil), Distrito Federal (546 mil) e Bahia (487,6 mil).
Os dados também desmistificam o argumento de que os auxílios sociais desestimulam a busca por emprego. O cruzamento de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) com o Cadastro Único revelou que 80% das vagas de trabalho formal criadas no primeiro trimestre de 2026 foram preenchidas por pessoas inscritas no CadÚnico.
“Os números confirmam as estatísticas relacionadas à presença dos beneficiários no mercado formal e refutam afirmações infundadas de que as famílias não querem arranjar emprego”, destacou o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.
Regra de Proteção garante transição segura
Um dos pilares para o avanço dos indicadores foi a criação da Regra de Proteção no novo desenho do programa. A medida funciona como uma rede de segurança para o trabalhador que consegue um emprego: se a renda por pessoa da família ultrapassar o limite de R$ 218, mas ficar abaixo de R$ 706, o lar mantém o direito de receber 50% do valor do benefício por até 12 meses.
Essa estabilidade permitiu que as famílias planejassem a transição para o mercado formal sem o medo da perda imediata do suporte financeiro. O reflexo prático dessa política foi medido pela FGV Social, que apontou um crescimento de 10,7% na renda do trabalho das pessoas mais pobres em 2025, índice que ficou acima da média de crescimento nacional.

