
‘Casas eco’ mudam a realidade de povo tradicionais – Foto: Divulgação
No coração do Pantanal sul-mato-grossense, novas casas sustentáveis têm impactado na realidade, no bem-estar e na sustentabilidade de famílias ribeirinhas da APA (Área de Preservação Permanente) Baía Negra, em Ladário, distante 428 quilômetros de Campo Grande.
Pensado para promover segurança, tranquilidade e dignidade para os povos tradicionais, o projeto Casa Eco Pantaneira tem atuado como ponte para dezenas de famílias com dificuldade de acesso a políticas públicas de habitação.
Segundo a professora de Arquitetura da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e coordenadora do projeto Casa Eco Pantaneira, Andréa Naguissa Yuba, cerca de 60 pessoas já foram impactadas diretamente com a elaboração dos projetos arquitetônicos. Duas famílias, inclusive, receberam casas construídas por meio da iniciativa.
Além disso, outras duas famílias tiveram reformas viabilizadas pelo programa MCMV-R (Minha Casa Minha Vida Rural), fruto de desdobramento do projeto. Por fim, mais 11 famílias devem receber melhorias até fevereiro de 2027.
Sobre o projeto
A iniciativa surgiu a partir de um edital nacional do CAU-BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), voltado para ações de Athis (Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social). Apenas oito projetos foram aprovados em todo o país, incluindo o de Mato Grosso do Sul.
A coordenadora detalha que a execução do projeto ficou por conta do Sindarq-MS (Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Mato Grosso do Sul), com apoio do Laboratório Canteiro Experimental da UFMS, da ONG (Organização Não Governamental) Ecoa (Ecologia e Ação) e da SPU (Superintendência de Patrimônio da União).
Ao todo, 11 arquitetos foram contratados para receber capacitação prática em Athis, enquanto desenvolviam 30 projetos de reforma e reconstrução. Dessas, duas casas foram construídas integralmente como modelo demonstrativo para a comunidade e para o poder público. O projeto também contou com mão de obra voluntária.

O conceito das ‘casas eco’
As chamadas ‘casas eco’ foram pensadas para respeitar o modo de vida ribeirinho e as características ambientais do Pantanal. Conforme a coordenadora do projeto, as construções também seguem critérios estabelecidos por áreas protegidas, conciliando moradia digna e preservação ambiental.
“As ‘casas eco’ respeitam o modo de vida ribeirinho, têm varanda telada para conter os mosquitos, incluem técnicas de construção e materiais menos impactantes para o meio ambiente, ventilação natural, resgatam e demonstram técnicas de construção vernaculares, utilizam novas tecnologias adequadas às áreas protegidas e valorizam o uso de materiais de demolição”, detalha Andréa.
A expectativa é de que, com novos financiamentos, o modelo possa ser replicado em outras comunidades ribeirinhas do Pantanal, ampliando o alcance da assistência técnica e fortalecendo políticas públicas de habitação adaptadas às realidades de povos tradicionais.

