Cansado de ouvir declarações de correligionários favoráveis à candidatura do senador Delcídio do Amaral (PT) ao governo estadual em detrimento do projeto de seu partido, o governador André Puccinelli (PMDB) mandou um recado público ao presidente da Assembleia Legislativa, Jerson Domingos, desautorizando-o a falar em nome do PMDB sobre o processo sucessório estadual.

André sugere que Jerson peça licença do PMDB
Na prática, o governador quer que Jerson peça licença dos quadros do partido para apoiar o adversário, da mesma forma que ele (André) deseja se posicionar para pedir votos para à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014, na eventualidade de o PMDB não fechar questão em torno do projeto petista.
Ocorre que o PMDB, apesar de aliado do PT em nível nacional, tem pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições do ano que vem que é o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, hoje secretário de Estado de Articulações Institucionais com os Municípios.
De acordo com reportagem publicada na edição deste sábado do jornal Correio do Estado, desde a definição do nome de Nelsinho como pré-candidato, Jerson tem dado declarações polêmicas a favor de Delcídio.
Para analistas, o “puxão de orelha” do governador no presidente da Assembleia pode representar outro princípio de crise nos quadros do partido, que desde a campanha eleitoral para prefeito de Campo Grande, quando saiu derrotado, não reúne mais consenso.
À época, o candidato do PMDB, deputado federal Edson Giroto, atualmente licenciado do cargo e secretário de Estado de Obras Públicas e de Transporte, perdeu o segundo turno das eleições para Alcides Bernal (PP).
Em sua publicação, o jornal lembra que em uma das sessões na Assembleia, Jerson chegou a chamar Nelsinho de “garoto mimado”. Tanto Nelsinho como André acreditam que a articulação do deputado em favor da eleição de Delcídio tem cunho pessoal, pelo fato de seu cunhado, Pedro Chaves (PSC), ser primeiro suplente do senador petista.
Ainda conforme a reportagem, ao aconselhar Jerson, o governador comparou ao seu posicionamento de pedir licença do PMDB, caso a legenda não apoie a reeleição da presidente da República Dilma Rousseff (PT). “Se o partido não me acompanhar, eu me licencio do partido, temos que ser éticos”, afirmou. “Como pessoa física vou apoiar a presidente Dilma”.
Jerson é uma das lideranças que mais defendem a repetição da aliança nacional do PMDB com o PT no Estado, descartando assim, a pré-candidatura de Nelsinho ao governo. Anteriormente, ele declarou que não vê dificuldade na junção das siglas, até porque, segundo ele, há respeitabilidade entre a pessoa física Puccinelli e pessoa física Delcídio.
Em sua opinião, a rivalidade histórica entre o PT e PMDB não atrapalha nas negociações em torno de uma aliança entre os rivais.
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