A Polícia Civil de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, informou na noite desta terça-feira (29) que Elissandro Spohr, um dos sócios da boate Kiss que está internado em um hospital da cidade sob custódia policial, teria ideia de se matar com a mangueira do chuveiro, mas que foi impedido por policiais que fazem plantão no quarto dele.
“A mangueira do chuveiro foi estrategicamente colocada em uma posição que sugeria a possibilidade de um enforcamento”, disse a delegada Lylian Carús. Mas, segundo ela, Spohr sequer chegou a cometer o ato. “Não cometeu por falta de espaço. Até porque todos os policiais de plantão estão em alerta.”
A delegada disse que o sócio da boate está bastante abatido e tem se cobrado muito pela tragédia que matou 235 pessoas. “Ele perdeu muitos amigos no acidente, além de muitos funcionários, que também eram amigos”, conta ela, que informou que o abalo emocional tem afetado sua recuperação. “Conversei com o médico hoje que afirmou que esse abalo tem interferido em sua oxigenação.”
Apesar da suposta tentativa de suicídio, a delegada relatou que desde que Spohr foi comunicado da prisão temporária de cinco dias, jamais tentou qualquer tipo de fuga. “Está sob custódia 24 horas por dia e bem ciente de que se encontra na condição de preso.”
Ainda não há previsão de quando o sócio da Kiss, que também estava na boate no dia do incêndio, receberá alta.
Investigações
O delegado que chefia as investigações do incêndio na boate Kiss, Marcelo Arigony, disse nesta terça-feira (29) que o estabelecimento não possuía ao menos dois tipos de alvará de funcionamento desde 2012, e havia feito reformas “ao arrepio de qualquer fiscalização, por conta e risco dos proprietários”.
A Kiss estava sem alvará de prevenção a incêndio, de acordo com Arigony, desde 10 de agosto do ano passado, e sem alvará sanitário desde 31 de março do mesmo ano.
“Pelo que apuramos, há uma série de irregularidades no local, mesmo porque havia mais gente que as 691 pessoas autorizadas pelo alvará vencido”, disse o delegado. “E as reformas lá dentro, pelos relatos que tivemos, foram ao arrepio de qualquer fiscalização, por conta e risco e feitas de forma temerária. Mas isso ainda vai ser confirmado pela perícia técnica”, declarou, salientando que a maior parte das provas coletadas até agora são oriundas de depoimentos de testemunhas.
Extintores supostamente falsificados, falta de iluminação de emergência e o uso de sputniks de uso externo, “por uma questão de economia”, foram outras irregularidades na boate Kiss apontadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. De acordo com o delegado, a maior parte das provas veio a partir das mais de 40 testemunhas já ouvidas no inquérito, que durará, segundo ele, “no mínimo 30 dias”.
Em coletiva de imprensa, a Prefeitura de Santa Maria se isentou de qualquer responsabilidade relacionada ao caso e indiretamente culpou o Corpo de Bombeiros. O secretário de governo do município, Giovane Mânica, afirmou que o alvará de localização da boate está em dia. O documento que compete ao município, segundo ele, foi emitido em abril de 2012 e teria de ser renovado em abril de 2013. “O alvará dos bombeiros compete aos bombeiros, assim como a verificação do número de pessoas que entra na boate também cabe aos bombeiros.”
Em resposta, o Comando-Geral da Brigada Militar publicou uma nota e informou que o Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio da boate Kiss, de Santa Maria, indicava que o estabelecimento possuía duas saídas de emergência, adequadas para um ambiente com lotação de 691 pessoas, como era o caso da boate Kiss. E disse ainda que o ingresso de pessoas além da capacidade autorizada é uma responsabilidade dos proprietários, que também não teriam solicitado autorização para o uso de artefatos pirotécnicos no local.
Prisões


