
Torre com câmeras identifica fumaça em tempo real na Serra da Bodoquena – Foto: Copaíbas/Divulgação
O combate a incêndios florestais em Mato Grosso do Sul ganhou um importante reforço tecnológico. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, uma das principais unidades de conservação do Cerrado na região sudoeste do estado, passou a contar com o monitoramento em tempo real de uma torre equipada com câmeras de alta resolução. O sistema utiliza algoritmos capazes de identificar sinais iniciais de fumaça quase instantaneamente, permitindo o acionamento imediato das equipes de combate.
A nova estrutura reduz drasticamente o tempo de resposta quando comparada aos modelos baseados exclusivamente em imagens de satélite, que costumam apresentar atrasos na detecção. Instalada em um ponto estratégico, a torre consegue cobrir cerca de 90% dos aproximadamente 76 mil hectares que compõem a área preservada do parque.
Gestão integrada e apoio comunitário
O avanço tecnológico é parte de uma estratégia mais ampla que une inovação e envolvimento local. Além do monitoramento automatizado, o projeto prevê a formação de brigadas comunitárias, treinamento técnico para a operação dos novos equipamentos e o desenvolvimento de ações de educação ambiental com os moradores do entorno.
A iniciativa é coordenada pelo Programa Copaíbas, focado na redução do desmatamento, no fortalecimento de unidades de conservação e no apoio a populações tradicionais e indígenas nos biomas Amazônia e Cerrado. O programa é gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e conta com recursos financeiros da Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas (NICFI).
Segundo Paula Ceotto, gerente do Programa Copaíbas, as ações de preservação vêm recebendo aportes contínuos. Desde 2022, o programa investe na aquisição de equipamentos e itens de proteção individual para as unidades de conservação.
“O Copaíbas apoia atividades de planejamento, capacitação e implementação de ações de Manejo Integrado do Fogo (MIF), inclusive por meio de uma chamada iniciada em 2025, que destinou R$ 5 milhões a projetos em Unidades de Conservação e seus entornos”, destaca a gerente.
Com a chegada do período de maior estiagem na região, a expectativa é que a integração entre a tecnologia de ponta e o trabalho dos brigadistas em solo minimize os impactos dos incêndios na biodiversidade da Serra da Bodoquena.

