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Dia da Anta: jardineira da floresta é símbolo de conservação no Pantanal

por Redacao
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A injustiça com o maior mamífero da América Latina desencadeou uma data de reconhecimento, comemorada nesta segunda-feira (27): o Dia Mundial da Anta

No Brasil, chamar alguém de “anta” é considerado um xingamento comum, usado para indicar que uma pessoa é lenta, distraída, tapada ou pouco inteligente. A injustiça com o maior mamífero da América Latina desencadeou uma data de reconhecimento, comemorada nesta segunda-feira (27), o Dia Mundial da Anta.

Há 18 anos, Anthony Long, um australiano apaixonado por antas, articulou o estabelecimento de 27 de abril como o Dia Mundial da Anta. A data enfatiza a conscientização sobre a conservação das quatro espécies existentes, que sofrem com ameaças ambientais e não possuem a mesma popularidade de outros grandes mamíferos.

Por trás da data, há uma luta de pesquisadores dedicados à conservação da anta. Em Mato Grosso do Sul, a Incab-Ipê (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira e Instituto de Pesquisas Ecológicas) descobriu que as antas são poligâmicas e que muitas estavam contaminadas por agroquímicos e metais.

“Fazer conservação no mundo de hoje não é uma tarefa simples. De maneira geral, a conservação de espécies não é vista como prioridade e requer muito apoio. Ao longo desses 30 anos, tivemos a parceria institucional e financeira de centenas de pessoas e organizações, sobretudo internacionais, o que nos permitiu chegar tão longe com esse trabalho”, afirma Patrícia Medici, coordenadora da iniciativa.

Para desmistificar o termo pejorativo, desde 2015, a Incab-Ipê conta com a campanha permanente de disseminação da hashtag #antaÉelogio. O objetivo é transformar essa injustiça em reconhecimento pela importância da espécie para a sociobiodiversidade.

Antas são incríveis

Segundo a instituição, as antas têm baixo potencial reprodutivo, com um ciclo reprodutivo bastante longo, incluindo o nascimento de um único filhote após uma gestação de 13 a 14 meses e intervalos entre nascimentos de até três anos. Dessa forma, a perda de um animal tem um impacto significativo para a conservação da espécie no longo prazo.

A fêmea da anta brasileira pode chegar a pesar 300 kg, ter até dois metros de comprimento e 1,10 m de altura. Com todo esse tamanho, a anta, que é herbívora, ingere entre oito e nove quilos de alimento por dia, incluindo folhas, ramos, brotos, caules, cascas de árvores, plantas aquáticas, além de frutos, que correspondem a mais de 50% da dieta.

Ela leva a fama de ser jardineira da floresta, já que ingere frutos, em geral com grandes sementes, e, por meio do trato digestivo, é capaz de otimizar a germinação. Ou seja, onde há sementes que passaram pelo trato digestivo do animal, há sementes prontas para germinar.

Outra característica da espécie é o fato de percorrer longas distâncias. A anta vive em áreas de, em média, 800 hectares, o que equivale a cerca de 800 campos de futebol. Logo, ela percorre entre 3 km e 9 km por dia, levando sementes de uma área para outra. Uma floresta sem antas é uma floresta que corre grande perigo de extinção. Isso não é exagero.

Pesquisadores também consideram a anta uma “espécie sentinela”, capaz de alertar para os riscos presentes no ambiente onde outras espécies da fauna, animais domésticos e comunidades rurais vivem.

Espécie ‘guarda-chuva’

A ciência ainda reconhece a anta como uma espécie guarda-chuva. Isso significa que, uma vez que as áreas onde vivem sejam adequadamente conservadas, uma série de outras espécies também será beneficiada.

Trata-se também de um dos mais antigos habitantes do nosso planeta, como indicam fósseis encontrados na América do Sul, que datam de 2,5 milhões a 1,5 milhão de anos atrás.

“A ciência já mostrou, por meio de estudos, que a anta tem um número elevado de neurônios e é um animal de extrema importância para a sociobiodiversidade. Essa percepção errônea sobre a anta afasta o interesse das pessoas pela conservação de uma espécie que está na lista vermelha de ameaçadas de extinção como vulnerável”, conclui Patrícia. Fonte: Midiamaxuol

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