O trombonista Raul de Souza morreu aos 86 anos em decorrência de um câncer na noite deste domingo (13). O anúncio foi feito pela família do músico em suas redes sociais. Ele estava na França.
Uma matéria publicada na Folha de S.Paulo em 2013 conta que a trajetória do músico começou nos anos 1950, quando, ainda moleque, ficou “hipnotizado” com uma música de Louis Armstrong que ouviu pelo rádio.

O anúncio foi feito pela família do músico em suas redes sociais. Ele estava na França – Foto: Reprodução
O trombone velho que ganhou de um amigo lhe abriu um novo mundo. Autodidata, Raul era rejeitado pelos grupos regionais e nas gafieiras por ser estilo intuitivo.
“Eu não conseguia tocar ‘Parabéns a Você’ sem improvisar. Os caras odiavam, falavam ‘não chama o Raul, não, que ele atravessa tudo'”, disse ao jornal à época.
Em 1963, um amigo avisou que precisavam de um trombonista para gravar um disco. Era “Você Ainda Não Ouviu Nada!”, de Sergio Mendes.
Apesar de Mendes ter feito carreira nos EUA com o disco, que apresentou como se fosse uma obra só sua, o trabalho também rendeu prestígio a Souza. Varou noites tocando com Altamiro Carrilho (1924-2012) e João Donato no mítico Beco das Garrafas, gravou com Baden Powell e fez arranjos para Roberto Carlos.
Nos EUA, gravou “Colors” (1974) pela Milestones Records, e o aclamado “Sweet Lucy” (1977) pela Capitol.
A técnica, afiada no chorinho, no samba e no que mais aparecesse, garantiu um diferencial entre os jazzistas que ele chama de “meus mestres”. “Mas eu achava pouco, e inventei o ‘souzabone'”, disse, sobre o trombone adaptado com quatro pistões (um normal tem três), que só ele toca.
Desde os anos 1980, gravou com grandes nomes da MPB, como Milton Nascimento e Maria Bethânia.
O colunista da Folha Ruy Castro dedicou linhas de diversas colunas ao músico, de quem era amigo e a quem chamou de “‘ás do samba-jazz”. “Raul tem até o título de um livro que gostaria de publicar sobre sua vida: ‘De Bangu a Hollywood'”, escreveu, em 2017, em um texto que também falava sobre o complexo penitenciário de Bangu.
O músico havia acabado de lançar o álbum “Plenitude” com a Raul de Souza Generations Band.

