
Divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985 – Foto: Reprodução
O Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas, segundo especialistas ouvidos na reportagem publicada nesta quinta-feira (27). A conexão com Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, além de Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e no Paraguai, está no centro da discussão sobre os efeitos das mudanças climáticas na maior planície alagável do mundo.
Na avaliação do engenheiro florestal e botânico Claudinei Terena, nascido na Terra Indígena Limão Verde, em Aquidauana (MS), o enfraquecimento dos rios e o desaparecimento de canais já fazem parte da paisagem local. Ele participou de um projeto de restauração de 3,3 hectares de áreas de nascentes dentro da terra indígena, com foco na manutenção da água que segue para o Pantanal e na produtividade daquele trecho do Cerrado.
Também em Mato Grosso do Sul, a Rede Flores do Cerrado reúne 31 coletores e coletoras de sementes em ações voltadas à restauração de margens de rios e nascentes. Segundo Adauto Cândido Pereira, da comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS), o grupo adota regras de coleta consciente, como deixar 30% das sementes nas árvores.
Segundo o WWF-Brasil, as ações de restauração nas cabeceiras dos rios, o enfrentamento aos incêndios florestais, a conectividade da vegetação nativa e o uso do conhecimento tradicional estão entre as frentes adotadas para manter os fluxos hídricos que abastecem o Pantanal e sustentar a integridade ambiental da região.

