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Pantanal depende de cinco biomas para enfrentar mudanças climáticas

Interação com Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Chaco e Bosque Chiquitano influencia a água, a biodiversidade e a dinâmica ambiental da planície alagável

por Redacao
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Divulgado pelo Mapbiomas, em 2025 a Savana Alagada no Pantanal já tinha perdido mais de 1 milhão de hectares, na comparação com o início da série histórica em 1985 – Foto: Reprodução

O Pantanal é o bioma que mais recebe influência e faz fronteira com outros ecossistemas, segundo especialistas ouvidos na reportagem publicada nesta quinta-feira (27). A conexão com Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, no Brasil, além de Chaco e Bosque Chiquitano, na Bolívia e no Paraguai, está no centro da discussão sobre os efeitos das mudanças climáticas na maior planície alagável do mundo.

A interação entre esses biomas sustenta a circulação de água e de vida que chega ao Pantanal. Ao mesmo tempo, essa característica amplia a vulnerabilidade da região diante das mudanças climáticas e das transformações no uso da terra no entorno.
Analista de Conservação do WWF-Brasil, Cyntia Santos afirmou que o Pantanal depende do que ocorre nos demais biomas que o cercam e é afetado pelas alterações registradas nessas áreas.
Dados do último mapa de uso e cobertura da terra do Mapbiomas, divulgados em 2025, mostram que a Savana Alagada no Pantanal perdeu mais de 1 milhão de hectares em comparação com o início da série histórica, em 1985. Essa área corresponde a 84% do que havia desse tipo de formação no bioma. Desse total, 833 mil hectares foram convertidos em outras formações, como savânica ou campestre.

Na avaliação do engenheiro florestal e botânico Claudinei Terena, nascido na Terra Indígena Limão Verde, em Aquidauana (MS), o enfraquecimento dos rios e o desaparecimento de canais já fazem parte da paisagem local. Ele participou de um projeto de restauração de 3,3 hectares de áreas de nascentes dentro da terra indígena, com foco na manutenção da água que segue para o Pantanal e na produtividade daquele trecho do Cerrado.

Também em Mato Grosso do Sul, a Rede Flores do Cerrado reúne 31 coletores e coletoras de sementes em ações voltadas à restauração de margens de rios e nascentes. Segundo Adauto Cândido Pereira, da comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão (MS), o grupo adota regras de coleta consciente, como deixar 30% das sementes nas árvores.

Segundo o WWF-Brasil, as ações de restauração nas cabeceiras dos rios, o enfrentamento aos incêndios florestais, a conectividade da vegetação nativa e o uso do conhecimento tradicional estão entre as frentes adotadas para manter os fluxos hídricos que abastecem o Pantanal e sustentar a integridade ambiental da região.

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