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Morre Raimundo Pereira, jornalista que liderou resistência democrática

por Redacao
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Jornalista Raimundo Rodrigues Pereira – Foto: Divulgação

Morreu neste sábado (2) o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos.

O que aconteceu
Ele morreu pela manhã, no Rio de Janeiro, onde morava. O corpo será cremado ainda neste sábado.

Em nota, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) disse que o jornalista “deixa um legado que serve como inspiração para vários jornalistas”.

“Raimundo Rodrigues Pereira deixa uma obra que ultrapassa sua produção individual. Sua trajetória se confunde com a história da resistência democrática no Brasil”.

Natural de Exu, em Pernambuco, Raimundo Pereira foi um dos principais jornalistas da chamada resistência democrática à ditadura militar. Nunca foi filiado a nenhum partido ou movimento de esquerda, mas sempre foi identificado com esse campo ideológico.

Começou a carreira ainda nos anos 1960, na revista Realidade e depois no jornal O Estado de S. Paulo.

Em 1964, foi expulso do (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), onde estudava engenharia, e preso. A perseguição aconteceu por causa dos textos publicados no jornal O S.

O jornal também consolidou Pereira como uma das principais vozes da imprensa brasileira na oposição à ditadura. A publicação foi uma das principais denunciantes dos arbítrios da ditadura e “na construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia”, segundo a ABI.

Por meio do jornal, Raimundo Pereira defendeu a anistia ampla, geral e irrestrita para todos os opositores do regime militar, mesmo os acusados de terrorismo e os que participaram da resistência armada.

No final, saiu parcialmente derrotado, porque a anistia aprovada em 1979 também perdoou os crimes cometidos pelos militares enquanto estavam no controle do Estado.

Depois da queda do regime, passou a defender a convocação de uma assembleia constituinte “livre e soberana”. Ou seja, queria que a assembleia constituinte fosse elaborada por pessoas eleitas exclusivamente para produzir uma nova constituição, em oposição aos que defendiam que o Congresso acumulasse as funções parlamentares normais com as de assembleia constituinte.

A constituinte “livre e soberana” era a pauta da esquerda da época, capitaneada pelo PT. Mas, em 1987, foi convocada a Assembleia Constituinte composta pelos deputados e senadores eleitos nas eleições diretas do ano anterior, conforme defendiam as lideranças empresariais e os partidos de direita.

Já sob a democracia, Raimundo Pereira criou o jornal Retratos do Brasil, em 1988. O objetivo era reunir reportagens extensas e análises estruturais sobre os principais problemas do país.

Em tempos mais recentes, Pereira passou a se dedicar à Editora Manifesto. Por meio dela, publicou livros sobre grandes escândalos políticos da época, como a Operação Satiagraha, o Mensalão e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em todos os trabalhos, apresentava uma visão alternativa e crítica ao que foi publicado pelos grandes veículos nacionais.

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