
Criminosos escondiam eletrônicos em cargas lícitas durante a distribuição por Campo Grande e cidades de Minas Gerais. – Reprodução/PF
Os investigadores de Polícia Civil Célio Rodrigues Monteiro — conhecido como “Manga Rosa” — e Edivaldo Quevedo da Fonseca, alvos da Polícia Federal, ganharam autorização para sair de Campo Grande. Os policiais foram presos no dia 18 de março durante a Operação Iscariotes, que investiga o contrabando em Mato Grosso do Sul.
Segundo a PF, o grupo criminoso que recrutava agentes de segurança pública, entre eles policiais civis, militares e bombeiros, teve R$ 40 milhões bloqueados durante a operação. “Manga Rosa” e o policial Edivaldo foram presos em casa. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas delegacias.
No entanto, na quinta-feira (16) e sexta-feira (17), quase um mês depois da operação, o Ministério Público Federal deferiu o pedido formulado pela defesa e autorizou ambos os policiais a saírem de Campo Grande.
No caso do Edivaldo, ele ficará longe da cidade entre os dias 17 e 21 de abril, com a finalidade de participar de um evento religioso que será realizado no interior de MS.
Já Célio se ausentará da cidade entre os dias 22 de abril e 1º de maio, período no qual ele estará em gozo de férias regulares. Neste modo, irá realizar uma viagem em família para a região do Nordeste.
Apesar da autorização, ambos precisam se apresentar em juízo no primeiro dia útil subsequente ao retorno à capital sul-mato-grossense, seja presencialmente ou on-line.
O que diz a defesa?
Procurado pela reportagem, a defesa do policial Célio Rodrigues, sustentou que não há elementos concretos que justifiquem restrições mais gravosas, além disso, a viagem já estava programada para o período das férias regularmente concedidas, sem qualquer prejuízo à investigação.
“A defesa está plenamente segura de que será demonstrada a inexistência de participação do investigado nos fatos apurados, o que naturalmente conduzirá à sua absolvição”, destacou o advogado Jean Maakaroun Tucci.
Mandados
No dia 18 de março, a Operação Iscariotes prendeu quatro pessoas preventivamente, suspendeu dois investigados das funções públicas e cumpriu 31 mandados de busca e apreensão. Outro investigado também colocou tornozeleira eletrônica e seis tiveram o porte de arma de fogo suspenso.
Além dos mandados de busca, das prisões e suspensões de porte de arma, 12 pessoas físicas e jurídicas tiveram R$ 40 milhões bloqueados. Ao menos 10 imóveis e 12 veículos foram sequestrados e seis pessoas jurídicas tiveram as atividades suspensas.
A operação contou com apoio das corregedorias da PRF (Polícia Rodoviária Federal), da PM (Polícia Militar), da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.
Investigações
A organização criminosa é especializada na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado. Os eletrônicos eram importados sem documentação fiscal e sem a regularização dos órgãos de controle aduaneiro.
Após ingressarem com os produtos no Brasil, os criminosos distribuíam os eletrônicos, muitos fracionados, escondidos em cargas lícitas, para Campo Grande e outras cidades do país, especialmente em Minas Gerais. A organização criminosa usava veículos adaptados com compartimentos ocultos para facilitar o transporte e a distribuição dos eletrônicos.
Os criminosos também contavam com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, alguns aposentados e outros da ativa, que usavam de suas funções para favorecer a atuação do grupo.
Os agentes forneciam e monitoravam informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e também atuavam no transporte das mercadorias. Durante as investigações, vários criminosos foram presos em flagrante, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais. Fonte: Midiamaxuol

