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População critica aumentos de salário do prefeito e funcionalismo

por Redacao
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A decisão da Câmara Municipal de Campo Grande de o salário do prefeito Marcos Trad (PSD) corresponder a mais de 90% da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu mal entre as pessoas entrevistadas no centro da cidade. “O Brasil não tem dinheiro para o salário do peixinho, mas tem dinheiro para o do tubarão”, declarou Evanir de Araújo, 80 anos, aposentada.

O aumento do salário do prefeito vai repercutir na folha do secretariado, dos fiscais e, consequentemente, da vice-prefeita Adriane Lopes (Patriota), que será beneficiada em seu holerite.

O impacto do aumento salarial foi grande. As pessoas entrevistadas na Praça Ary Coelho já sabiam do reajuste e não gostaram nada da notícia.

Enquete mostra que repercutiu mal o reajuste em relação ao salário dos ministros do STF – Foto: Reprodução

Evanir resumiu em poucas palavras o que sente com a notícia do aumento salarial do chefe do Executivo municipal. “Considero profanação. O Brasil não tinha dinheiro para a Previdência Social”.

Na opinião do motorista Valdir Pedro Chafler, 41 anos, a notícia do aumento salarial é um “tapa na cara da sociedade”. “O aumento não é só do prefeito, mas de secretários, vice e vereadores, só o meu salário que não sobe”.

Chafler disse que o município poderia investir esse dinheiro em outras coisas. “Com tanta coisa para investir, como saúde pública, educação e segurança, a gente tem a notícia de que vai aumentar o salário do prefeito, que já é alto”.

O motorista criticou que o salário mínimo não sobe mais de R$ 50 por ano. “É um descaso com a sociedade e, em vez de vetar, ele [prefeito] apoia. Isso é uma vergonha”.

De acordo com o estoquista Douglas Fernandes, 35, a população já tem de arcar com vários impostos. “Teve aumento do passe de ônibus e os veículos estão sucateados. O que eles ganham já não é suficiente?”, questionou.

A aposentada Ana de Souza, 64 anos, não sabia dos reajustes e ficou surpresa quando a reportagem relatou para quanto deve subir. “Pelo salário mínimo que a gente recebe, é um absurdo o que essas pessoas recebem. A população acaba sem nada”.

Ana frisou ainda o aumento da tarifa de ônibus, que saltou de R$ 3,70 para R$ 3,95. “Você viu o preço do passe de ônibus? O SUS não presta, não tem médico e, além de não ter médico, não tem remédio”.

Outra que foi pega de surpresa com o aumento imediato do salário do primeiro escalão da prefeitura foi a porteira Priscilla Pereira, 34 anos. “O que aumentou, o salário mínimo?”, questionou à reportagem.
“Eu não acho bom, não. Dependo de ônibus, o aumento da passagem foi péssimo. Sou contra o aumento de salário dessas pessoas”.

ENTENDA

Em menos de 30 dias, o prefeito de Campo Grande receberá dois aumentos salariais que, somados, lhe garantem R$ 7.957,37 a mais sobre o valor recebido atualmente, que é de R$ 20.412,42. Os novos valores, aprovados pela Câmara Municipal na semana passada, foram considerados justos pelo prefeito.

“O trabalhador trabalha sábado e domingo e pede hora extra. Os vereadores e os secretários têm [hora extra]? Não. Temos que ver isso tudo, se trabalham ou não, se é justo ou não”, disse Trad, que em seguida reclamou do próprio salário. “Sabe quanto ganha o prefeito? Líquido é R$ 14,1 mil, e o do interior é R$ 28 mil, R$ 29 mil”.

Conforme a emenda à Lei Orgânica de Campo Grande nº 79/2018, o prefeito passa a receber neste mês o valor de R$ 25.178,17, correspondente a 71% da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que é de R$ 39.293,32. Alguns dias depois, em 1º de janeiro de 2019, Trad terá novo aumento e seu salário passará a ser de R$ 28.369,77.

Esses reajustes continuarão até 2021, quando o subsídio do prefeito da Capital será de R$ 35.462,22. Segundo o presidente da Câmara, vereador João Rocha (PSDB), a lei determina a seguinte progressão salarial: “a partir da data da publicação, a remuneração subirá 71%. Já em 2019, será de 80%; em 2020, de 90%; e em 2021, de 100% dos 90,25% estabelecidos como limite do valor mensal pago aos ministros do STF”, explicou. Com informações do Correio do Estado

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