Primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff defendeu uma reforma do Conselho de Segurança da ONU e lembrou que “há 18 anos” se discute a entrada de novos países.
No discurso de abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff defendeu o reconhecimento do Estado da Palestina assim como a sua entrada na ONU. O assunto é um dos principais temas do encontro deste ano, e encontra forte oposição por parte dos Estados Unidos.
“Quero estender ao Sudão do Sul as boas-vindas. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas. Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na ONU. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal”, disse a presidente.
Chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título”, afirmou, deixando clara a posição do Brasil em meio a intensas negociações para evitar uma crise diplomática pelo pedido de adesão dos palestinos à ONU.Segundo Dilma, o reconhecimento do Estado palestino ajudará a obter uma “paz duradoura no Oriente Médio”, e assinalou que “apenas uma Palestina livre e soberana” poderá atender aos pedidos de Israel por segurança.
“Venho de um país no qual judeus e árabes vivem em paz”, disse Dilma.
Nesta sexta-feira (23), o líder palestino, Mahmoud Abbas apresentará o pedido de votação do Conselho de Segurança sobre o reconhecimento do Estado palestino que, para ser aprovado, precisa de nove votos a favor dos 15 Estados-membros e nenhum contra dos cinco permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido).
Crise pode provocar ruptura social e política
Boa parte do início do discurso da presidente, como era esperado, teve como foco o crescimento do Brasil e de outros países emergentes em meio à crise financeira global e a situação de países em conflito, em especial no mundo árabe. Dilma alertou que a crise econômica pode provocar uma “grave ruptura social e política” no mundo e pediu unidade para sair dela.
Resistência do Brasil à crise financeira
A presidente Dilma Rousseff pediu que o mundo combata a chamada “guerra cambial” e evite medidas protecionistas, ao discursar na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
“É preciso combater a guerra cambial. Trata-se de impedir a manipulação cambial” por meio de políticas monetárias extremamente expansionistas ou pela manutenção do câmbio fixo em alguns países, afirmou a presidente.
Ao mesmo tempo, Dilma afirmou que o Brasil está tomando “precauções adicionais” para reforçar sua capacidade de resistir à crise financeira global, preservando o mercado interno.
“O Brasil está fazendo sua parte… mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle a ponto de gerar vultoso superávit das contas públicas sem que isso afete nosso ritmo de investimentos”, acrescentou.
“Há pelo menos três anos o Brasil repete nessa tribuna que é preciso combater as causas e não só as consequências [da crise global].”
