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Turismo de troca é oportunidade de aprendizado e conexões em MS

por Redacao
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Vale o reforço de que o potencial de Mato Grosso do Sul para turismo não se resume ao Pantanal e aos balneários bonitenses – ecodestinos mais importantes e estratégicos, consequentemente, mais lembrados. Outros eixos turísticos que merecem atenção e contam com viabilidade para se desenvolverem no Estado são aqueles que incluem, entre as experiências do deslocamento, uma troca.

Visitantes trocam trabalho por hospedagem e aprendem técnicas de bioconstrução - Foto: Rafael Arruda / Divulgação

Visitantes trocam trabalho por hospedagem e aprendem técnicas de bioconstrução – Foto: Rafael Arruda / Divulgação

Essa proposta consiste em deixar ou levar algo significativo do lugar visitado, além dos propósitos de descanso ou lazer. É possível praticá-la, por exemplo, contribuindo com a geração de renda e fortalecimento da identidade de uma comunidade específica, visitando lugares com o intuito de produzir conhecimento, ou até mesmo fazendo permutas entre hospedagem e trabalho. Em terras sul-mato-grossenses, existem comunidades, pesquisadores e proprietários de espaços naturais receptivos aos turistas que estejam interessados em viajar com o impacto da consciência e da cidadania.

Conheça algumas dessas experiências a seguir.

COMUNITÁRIO

As populações tradicionais de Mato Grosso do Sul são as protagonistas do turismo de base comunitária – modalidade que prevê interação cultural e econômica entre visitantes e moradores –, praticado principalmente junto a comunidades ribeirinhas do Pantanal e quilombolas.

Agências de turismo intermedeiam contato entre turistas e moradores das comunidades pantaneiras que vivem na Barra do São Lourenço, Porto Amolar, São Francisco e Porto da Manga, desde que eles passaram por cursos de capacitação comunitária para relações turísticas, desenvolvidos pela ONG Ecologia e Ação (Ecoa)com o apoio do Ministério da Justiça. Principalmente pessoas de outros países têm se interessado em conhecer seu modo de vida.

Localizada em Piraputanga, distrito de Aquidauana, a cerca de 180 quilômetros de Campo Grande, a comunidade quilombola Furnas dos Baianos também é uma das que abriram espaço para receber pessoas de fora. É possível saber sobre suas tradições, provar de sua gastronomia e passear pelos morros e córrego situados nas proximidades.

A agência de turismo Sopa de Pedra, com sede na Capital, promove passeios até lá, há alguns anos. No início, era de bicicleta que os visitantes chegavam ao local, mas desde o ano passado a empresa passou a levá-los somente por meio de caminhadas rurais, feitas em grupo. Segundo a educadora física e sócia da agência, Elijane Coelho, a chegada a pé garante uma experiência mais intensa ao turista e às pessoas com as quais ele se relaciona por onde passa.

“E a proposta é que o turista se relacione com a natureza, com a comunidade e consigo mesmo. E também que saia da cidade, resgate memórias da infância, aprenda sobre um modo de vida diferente do seu e vivencie novas cores, sabores, aromas e sorrisos”.

A Sopa de Pedras também orienta caminhadas até comunidades rurais de Campo Grande, como a Associação Terra Boa/Nova Era, que fica na antiga fazenda Cerro Porã, na saída para o município de Sidrolândia. Os moradores recebem um pedágio turístico e oferecem refeições feitas com alimentos produzidos no local.

Elijane comenta que, este ano, uma outra comunidade quilombola, a Furnas da Boa Sorte, que fica no município de Corguinho, entra nas rotas da agência. Profissionais e moradores do local já receberam capacitação e estão se reorganizando para receber turistas em breve.

PERMUTA

No sítio Passarim, que fica no município de Rio Verde, há 210 quilômetros de Campo Grande, a oportunidade de desfrutar de paisagens, balneários e alojamento custa apenas algumas horas de trabalho pela manhã.

É feita uma permuta entre trabalho e hospedagem, que tem prazo para terminar, e vagas limitadas a aproximadamente 20 pessoas a cada temporada.

A parte do trabalho envolve ajudar os próprios donos do sítio a erguerem pequenas casas, que servirão de alojamento para outros turistas, por meio da bioconstrução – técnica de construção sustentável. Alguns até pagam pelo acordo, por considerar que aprender o método e passar momentos de lazer na propriedade são as duas coisas um prazer só.

Quem recebe e ensina os visitantes é a família Arruda. Antônio Roberto Arruda é dono da propriedade e foi o primeiro a aprender a fabricar o tijolo adobe – a partir de terra, areia, palha e fibras –, a base das obras. Atualmente, conhece quatro técnicas de bioconstrução ao todo, aprendidas durante um curso. Ensinou à esposa, Marileide, e ao filho Rafael e, desde 2014, ensina também aos visitantes.

Rafael explica que, por falta de dinheiro para expandir a estrutura do sítio para o turismo, a ideia caiu bem. “No começo, a gente trazia umas cinco pessoas pra cá, a cada fim de semana. Hoje, nós temos mais de 7 mil pessoas cadastradas que aguardam para participar do sistema de troca e registramos candidatos de 14 países diferentes no nosso banco de dados”.

Ele afirma que o resultado de dois anos de trabalho coletivo é o crescimento do local e do município. “O sítio está mais bonito, aumentamos a nossa capacidade para receber hóspedes e estamos vendo que a cidade, que era ‘apagada’, está crescendo junto”.

A solidariedade também é moda de troca para os Arruda. Nas horas de folga, eles propõem que os hóspedes pintem casas de famílias carentes que vivem em Rio Verde, com tinta produzida no próprio sítio. “A nossa intenção é ajudar, fazer com que as pessoas passem esse começo de ano em uma casa mais bonita”.

Donos de propriedades vizinhas ao sítio têm interesse em copiar a ideia e, este ano, Rafael quer propor à prefeitura do município que auxilie na ampliação do projeto.

PESQUISA

Depois de ter experiências limitadas com pesquisas externas por causa da falta de acomodação e de liberdade, a bióloga e educadora científica Duca Andrade decidiu abrir o Instituto Quinta do Sol, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da qual é dona, para hospedar professores e pesquisadores. Lá, oferece uma experiência diferente, que facilita a troca e a produção de conhecimento.

A possibilidade de dormir, tomar banho, fazer as próprias refeições e poder passar um tempo no riacho que fica na reserva é o diferencial. O local fica em Taboco, distrito de Corguinho, e não serve para passar as férias. Funciona mais como um “espaço didático” livre, onde é possível ter momentos de lazer e contar com as condições de um “turista que pesquisa”, como explica Duca.

Há 10 anos, o instituto oferece espaço para alojar pesquisadores. Possui ainda riquezas da fauna e flora que podem ser exploradas e estudadas. “Corguinho fica à borda do Pantanal, tem muita água e muitas nascentes, muito a ser explorado. Quando comecei, havia poucas pesquisas na região. Pesquisadores que já passaram por aqui encontraram até espécies de aves, peixes e plantas das quais não havia nem registro. É uma ótima oportunidade para quem quer ter mais tempo e melhores condições para se dedicar à pesquisa”.

A bióloga dá aulas de metodologia científica para alunos de universidades conveniadas no local, mas também cede o espaço para a realização de cursos de permacultura, comunicação científica e eventos. O custo dos cursos varia, e o preço da diária e dos pacotes fica em torno de R$ 50 a R$ 200. Com informações do Correio do Estado

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