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100 anos do samba: João Donato diz que ritmo é a “música nacional”

por Redacao
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O samba se tornou o maior exemplo do Brasil no exterior. É o que diz o pianista, compositor e cantor João Donato. Para ele, este gênero musical que completa cem anos expressa a própria identidade nacional.

Ritmo faz 100 anos em 2016. Músico de 82 anos tem uma das carreiras mais profícuas da MPB

Ritmo faz 100 anos em 2016. Músico de 82 anos tem uma das carreiras mais profícuas da MPB

João Donato é um dos pioneiros da Bossa Nova e tem uma das carreiras mais profícuas da Música Popular Brasileira. Nascido no Acre há 82 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1954, onde está até hoje – após temporadas em São Paulo e nos Estados Unidos.

Por telefone, da cidade de São José dos Campos, em São Paulo, onde se apresentava, o artista conversou com a Assessoria de Comunicação do Ministério da Cultura (MinC). Na pauta, claro, samba. João Donato falou de sambistas e de cantoras da atualidade que aprecia. Também fez um comentário sobre sua longa trajetória profissional. “Minha música me trouxe até aqui, com saúde e disposição”, afirmou. Ele ainda adiantou projetos que estão a caminho: um disco novo com o filho Donatinho e uma composição orquestral inspirada em Claude Debussy e Maurice Ravel.

Qual a importância do samba para o Brasil?

É a nossa identidade, a nossa música nacional. O samba é tudo para mim, tanto que, há muito tempo, quando disseram que eu fazia bossa nova, neguei. Na ocasião, afirmei: eu gosto é de samba. O samba representa a minha linguagem e a de todos nós, que atravessou as fronteiras do mundo e se tornou o maior exemplo do Brasil no exterior.

Que influência o samba teve na bossa nova?

O samba e a bossa nova são uma coisa só. O jazz, de certo modo, participa dessa sonoridade. Todos ouvíamos música americana e tínhamos influência de artistas como Frank Sinatra. Mas o samba é o principal elemento. O jazz ganhou muito com a música brasileira. Foram o samba e a bossa nova que contribuíram para dar ao jazz, que era obscuro, underground, status de música popular. Isso aconteceu quando Stan Getz gravou Garota de Ipanema e se projetou nas paradas de sucesso como música  pop.

Quais seus sambistas favoritos?

Eu gosto de muitos deles: Clara Nunes, Beth Carvalho, Martinho da Vila, com quem eu tenho quatro parcerias, João Nogueira, Elza soares, Dona Ivone Lara, Alcione, Nelson Cavaquinho, Casquinha, Bezerra da Silva. É uma turma muito boa.

Olhando para os seus mais de 60 anos de carreira, que balanço faz dessa trajetória?

Desde o início, quando decidi virar músico, sempre tive muito prazer no que fiz. E faria tudo outra vez. Tenho sido muito feliz. Acredito que a minha longevidade, 82 anos, se deve à minha música, que me trouxe até aqui com saúde e disposição. Vamos que vamos. Pretendo virar o centenário, que se aproxima.

Que projetos está desenvolvendo?

Estou gravando um disco com meu filho, o Donatinho, no qual vamos tocar em cima de programações eletrônicas e fazer os arranjos. Também preparo uma suíte sinfônica baseada em Ravel e Debussy. Quero que esteja pronta em 2017.

Esses dois músicos do impressionismo são influência importante no seu trabalho?

São os compositores com os quais sonho diariamente. Ouço a música deles com muita frequência, pois fazem parte da minha vida.

Como avalia a cena musical brasileira da atualidade?

Como sempre, existem trabalhos supérfluos. Você tem que dar uma filtrada para encontrar pessoas interessantes, aquelas que produzem algo que permanece. O panorama de agora é tão interessante quanto o de antes. Tem muito barulho, algo até natural nas grandes cidades, mas existem músicos, cantores e compositores talentosos. Gosto dessa turma da Céu, Tulipa Ruiz, Mariana Aydar, Marina de La Riva e Nina Becker. Dentre os instrumentistas, destaco o pessoal do Bixiga 70, com quem gravei um disco recentemente. São admiráveis. Com informações do MinC.

 

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