Segundo ele, a viagem de Thiago será feita com a passagem de ida e com pouco dinheiro. “Estamos tentando ajudar, pois o governo não está dando nenhum apoio material.”
Ivanil contou que Priscila costumava comprar roupas no Brás, em São Paulo, para revender no interior, mas foi convencida por uma amiga a se abastecer na cidade boliviana. “A amiga já tinha ido e disse que tudo lá era mais barato.” Ele não acredita numa das hipóteses levantadas pela polícia boliviana, de possível envolvimento com o narcotráfico. “Ela não tinha nenhum perfil para isso, inclusive a mãe dela, dona Chiquinha, era muito conhecida no bairro e faleceu recentemente.”
Priscila foi encontrada num matagal, de bruços, com as mãos amarradas, e marcas de tortura. Os autores do crime levaram apenas dinheiro e documentos, deixando a bolsa de mão, mala e demais pertences com a vítima. A perícia concluiu que ela sofreu violência sexual e foi estrangulada. Havia ainda ferimentos e contusões nas costelas. O marido reconheceu a mulher pelas fotos, por meio de tatuagem de borboletas e do nome dele gravado nas costas.
O coronel boliviano Hugo Justiniano Añez, comandante da Polícia de Fronteira, disse que Priscila deve ter sido morta em outro local e deixada no ponto em que foi avistada por um transeunte. Foi apurado que ela havia morrido 12 horas antes de o corpo ser encontrado, em local onde passam muitas pessoas.
A polícia boliviana pediu às autoridades brasileiras informações sobre os antecedentes criminais de Priscila. O objetivo é confirmar ou descartar a hipótese de que ela tenha sido morta por narcotraficantes. Para o marido da brasileira, a hipótese não tem lógica. Ele disse que a mulher viajou com o dinheiro certo para comprar roupas e voltar a Campinas.
O Itamaraty informou que o caso é acompanhado pelo consulado brasileiro em Santa Cruz de la Sierra e pelo vice-consulado de Puerto Suárez. Segundo o Itamaraty, o traslado do corpo deve ser providenciado pela família, já que a legislação não permite que o governo brasileiro assuma os custos.


