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Domício Proença Filho toma posse na ABL: ‘Somos a diretoria da crise’

por Redacao
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A nova diretoria da Academia Brasileira de Letras (ABL) tomou posse na noite desta quinta-feira. Em cerimônia realizada no Petit Trianon, Domício Proença Filho, de 79 anos, assumiu a presidência da instituição. No seu discurso, o escritor e professor carioca, que ocupa a cadeira 28 desde 2006, fez referência à crise que atinge o Brasil.

— Os tempos são ásperos, sabemos todos — disse. — Estamos cientes e conscientes da grave crise econômica literal e etimologicamente vivida pelo país. Somos a diretoria da crise. Árduo será o percurso.

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Em uma fala veemente, ele prometeu envolver a ABL na luta pela “afirmação da identidade cultural da etnia negra” e na batalha contra o racismo. Evocando nomes como o do abolicionista Joaquim Nabuco, ele afirmou:

— Nessa direção, indicia a assunção pela Academia, da tomada de posição para além dos estereótipos e do preconceito étnico ou epidérmico, nesse espaço ainda vigente no comportamento de muitos, veladamente; explicitamente; agressivamente; envergonhadamente; vergonhosamente.

Proença Filho sucede o pernambucano Geraldo Holanda Cavalcanti, que termina o segundo mandato. Secretário-geral da antiga gestão, o novo presidente foi o responsável iniciar a cerimônia, que teve presença da secretaria de estado de cultura Eva Doris Rosental e do secretário municipal de cultura Marcelo Calero. No primeiro discurso, o acadêmico fez, durante cerca de 30 minutos, um balanço da administração passada.

Em sua despedida, Cavalcanti fez agradecimentos e desfiou aplaudidos elogios ao novo presidente, que foi indicado por ele. Por fim, reconheceu as dificuldades que devem ser enfrentadas pelo sucessor:

— A Academia tem que atender a esses desafios com imaginação e celeridade.

Depois, já empossado, Proença Filho saudou os outros integrantes da diretoria. A chapa única, que venceu por unanimidade as eleições realizadas em 3 de dezembro, é formada pela primeira vez na história por duas ex-presidentes: Ana Maria Machado e Nélida Piñon. Dois ex-secretários completam a lista: Marco Lucchesi e Merval Pereira.

— Agradeço fundamente o alto privilégio da inédita votação por unanimidade com que fomos privilegiados. A distinção superlativa a nossa responsabilidade — disse ele, que participou de administr.

Diante dos colegas, como o poeta Ferreira Gullar e o jornalista Zuenir Ventura, Proença Filho se comprometeu a zelar pela língua e pela literatura durante o seu ano de mandato. Ele e sinalizou que a ABL vai dirigir “sua atuação para outras manifestações da cultura”. Segundo ele, a casa estará em permanente diálogo com a atualidade:

— Parodiando e ampliando Machado de Assis, nem tudo tinham os antigos, nem tudo têm os modernos e os pós-modernos: com os haveres de uns e de outros é que se constrói o patrimônio cultural do país.

oglobo

 

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