Mesmo diante do forte desgaste político decorrente do escândalo da Operação Lama Asfáltica, desencadeada em julho deste ano para investigar denúncias de corrupção com dinheiro público envolvendo cabeças coroadas do PMDB, o deputado estadual Marquinhos Trad teria voltado a conversar com o ex-governador André Puccinelli em busca de apoio à sua candidatura à Prefeitura de Campo Grande em 2016.
Os dois correligionários têm uma relação de convivência estremecida há anos, a ponto de o deputado se tornar independente na Assembleia Legislativa desde o começo do mandato de André Puccinelli na Governadoria.
O clima piorou após a derrota do ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, ao governo do Estado, e da não reeleição do deputado federal Fábio Trad em 2014. Os irmãos atribuem o insucesso ao “corpo mole” feito por André Puccinelli e alguns correligionários, como o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Jerson Domingos, que preferiram pedir votos para o senador Delcídio do Amaral (PT) em detrimento da candidatura do partido.
De acordo com reportagem do jornal Correio do Estado, sem saída plausível para não correr o risco de perder o mandato sob acusação de infidelidade partidária, Marquinhos Trad deixou a diferença de lado e procurou o ex-governador André Puccinelli para pedir apoio à sua pré-candidatura a prefeito de Campo Grande pelo PMDB. “Foi uma conversa tranquila”, comentou um dirigente do partido.
Na reunião, ainda segundo a publicação, André não manifestou a Marquinhos a mágoa pelas duras críticas que recebeu por muito tempo. Mas lembrou de o ter procurado, em várias ocasiões, para buscar o entendimento com a finalidade de unir o partido em torno de sua pré-candidatura a prefeito. Mesmo assim, o deputado teria preferido o confronto.
A esperança de Marquinhos era aprovação de “janela” pelo Congresso Nacional para trocar de partido sem sofrer punição. A reforma política frustrou a sua expectativa. A troca só será possível sete meses no último ano do mandato. Não é o caso do deputado.
O seu mandato vai até 2018 e o projeto político dele era concorrer à Prefeitura de Campo Grande, em 2016, por outra agremiação partidária.
LAMA ASFÁLTICA
A operação Lama Asfáltica foi desencadeada em 9 de julho deste ano pela Receita Federal, PF, CGU (Controladoria-Geral da União) e pelo MPF (Ministério Público Federal).
A Polícia Federal descobriu esquema envolvendo empresas que movimentaram bilhões de reais em contratos fraudulentos em Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, elas agiam no governo estadual e também em prefeituras.
No fim de 2014, a Polícia monitorava o então secretário-adjunto de Fazenda, André Luiz Cance, um dos investigados na operação Lama Asfáltica. Em uma das gravações telefônicas, ele conversa com o então governador André Puccinelli.
Particularmente, o ex-governador acredita que os escândalos de corrupção que repercutiram na imprensa nacional não devem atingir o partido porque, segundo ele, “não existe ninguém do enlameado”. Apesar disso, admite que o caso respingará em políticos envolvidos.
“Nos (políticos) que forem culpados, é claro que vai respingar. Estou defendendo total e rigorosa apuração. “Culpem os culpados, não tenho participação alguma nisso. Não fui sequer citado, nem busca e apreensão fizeram na minha casa. As licitações foram convalidadas todas”, limitou-se a dizer André Puccinelli, em visita a Câmara de Vereadores de Campo Grande em 19 de agosto quando foi conversar com a bancada do PMDB.

