107
O diretor executivo da Match Services, Raymond Whelan, entregou-se nesta segunda-feira à Justiça do Rio. Whelan é acusado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) de ser o chefe da máfia que comercializava ilegalmente ingressos da Copa do Mundo de 2014. A Match Services é uma empresa parceira da Fifa na organização do Mundial.

Raymond Whelan, diretor executivo da empresa Match, acusado de chefiar a máfia de venda ilegal de bilhetes para o Mundial 2014
Whelan era considerado foragido desde quarta-feira. Na tarde daquele dia, a Justiça decretou sua prisão preventiva por causa de sua susposta ligação com a máfia do ingresso. O grupo, segundo a Polícia Civil, esperava faturar até R$ 200 milhões vendendo tíquetes para partidas do Mundial por preço bem acima do mercado.
Whelan estava hospedado no Copacabana Palace, junto com a alta cúpula da Fifa, no momento em que teve sua prisão preventiva decretada. Minutos depois, deixou o hotel pela portas dos fundos, acompanhado do seu advogado Fernando Fernandes. Quando a polícia chegou para prender Whelan, ele já não estava mais no hotel.
Desde então, a polícia fazia buscas para encontrar o executivo. Ele chegou a tentar uma habeas corpus enquanto estava foragido, mas teve o pedido de liberdade negado. Nesta segunda, entregou-se.
Segundo a assessoria de imprensa do advogado de Whelan, ele se apresentou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Está preso na carceragem do local.
O inglês já havia sido preso pela Polícia na segunda-feira passada, também no Copacabana Palace. Horas depois, recebeu uma habeas corpus, foi solto e voltou ao hotel.
Agora preso, Whelan deve responder pelos crimes de cambismo, associação criminosa, lavagem de dinheiro e sonegação. Ele alega que ele é inocente.
Operação Jules Rimet
A operação desbaratou a máfia dos ingressos foi batizada de Jules Rimet, em alusão ao nome do primeiro presidente da Fifa. Ela é resultado de mais de um mês de investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro e Ministério Público.
Na operação, quase 200 ingressos da Copa já foram apreendidos na ação, além de dinheiro e máquinas para pagamento em cartão de crédito. Os bilhetes pegos pela polícia eram reservados pela Fifa a seus patrocinadores, a clientes de pacotes de hospitalidades e até a membros de comissões técnicas. Dez ingressos, inclusive, eram reservados as integrantes da comissão técnica da seleção brasileira.
Segundo Polícia Civil, a quadrilha vendia ingressos por até R$ 35 mil. Com isso, lucrava até R$ 1 milhão por jogo.
A polícia informou que o esquema não é novo. Ele funcionava há quatro Copas. O trabalho seria tão lucrativo que integrantes da quadrilha trabalhariam durante o torneio e depois descansariam por quatro anos até o próximo Mundial.
uol

