Tudo lá é muito peculiar (exceto os carros japoneses e russos, e claro, Che Guevara): cores, gestos, gostos, sons, cheiros, imagens…

Chola na ilha do Sol
Cordilheira dos Andes, llamas e alpacas, o Lago Titicaca, ruínas de civilizações pré-colombianas, Amazônia, calor e neve, misticismo, ricas cultura e história e civilizações indígenas não resumem o país que é um convite à aventura.
A mais alta e isolada república da América Latina também é o país que tem o maior número de civilizações indígenas do continente americano, com a grande maioria da população mantendo os valores tradicionais e as crenças e todo o mistério que envolve as civilizações antigas.
Bolívia, caminho para Machu Picchu?
Se você respondeu que sim, está redondamente enganado. Lindo e rico (cultural e historicamente), o país, além disso é bem acessível: 600 dólares para um viajante dá para conhecer toda a Bolívia, o que vira obrigação assim que colocar os pés além fronteira.
Muitos viajantes brasileiros “passam” pela Bolívia rumo à Machu Picchu no Peru. Talvez por falta de informações o país acabe servindo apenas como caminho e não como o destino da viagem.…..
Todo o fascínio em torno das antigas civilizações latino americanas parece se resumir às ruínas Incas no Peru, mas, o que pouca gente sabe é que existe na Bolívia, além de ruínas Incas, ruínas da mais antiga civilização pré-colombiana, a Tiahuanacota (1580 a.C 1172 d.C).
Todo trajeto dentro do país parece ser uma expedição Off-road e com uma dose maior de adrenalina: os ônibus velhos e pouco confortáveis passam por estradas beirando abismos, num espaço que parece ser estreito até para motos! Calma, a paisagem é o remédio se o veículo quebrar ou se alguém estiver horas e horas com o banco sobre suas pernas (coisas muito comuns). Llamas, picos nevados, montanhas, planícies e vales, construções em pedra, formações rochosas das mais variadas formas e cores, Cactos, Ciprestes, Chorões, deserto de sal, minas de prata, flamingos…
No entanto o país, um dos mais pobres da América do Sul não é só beleza. Nas cidades mais movimentadas como La Paz e Santa Cruz de la Sierra há muitas crianças e idosos pedindo esmolas, as ruas são verdadeiros camelódromos, o trânsito é desordenado (buzinar é a palavra de ordem) e o sistema é corruptível – nada que alguém de um país subdesenvolvido não conheça.
A população, maioria pobre, corre de um lado a outro, carregando mil coisas do campo para a cidade e da cidade para o campo. As mulheres índias, conhecidas como “cholas”, sempre com suas “mochilas” nas costas (trouxas chamadas Auayu), tranças e chapéu parecem ser as que mais trabalham e através dos trajes e gestos representam bem a cultura local. Se vir um dourado na boca são os dentes de ouro sorrindo pra você, um chapéu quase sobre a testa, cuidado, é melhor evitar conversa. Reserve um dinheirinho para fotos (os bolivianos, principalmente mulheres e crianças, cobram pelo “uso da imagem”), também seja esperto para tirá-las, eles são capazes de correr para fugir de um clique. …..
As festas são religiosas ou políticas, comemorando-se uma batalha ou revolução ou um santo católico ou deus índio.
Além da “conquista” espanhola, iniciada em 1531 sob o comando de Francisco Pizarro, o país sempre sofreu com as invasões; talvez a de maior conseqüência tenha sido a Guerra do Pacífico (1879-1884), quando a Bolívia perdeu para o Chile, 850 Km de sua costa (o Porto Antofagasta) ficando assim isolada. …..Notoriamente, a Bolívia foi palco de movimentos revolucionários que terminaram antes mesmo de deslanchar. A figura mais importante do país não é boliviana, mas está por todas as partes, em camisetas, bandeiras, pôsteres e em grafites (até em Tiahuanaco): Ernesto Che Guevara, um argentino, ícone da revolução cubana. ….
O solo que recebeu os pés de Che na América do Sul está na região de Vallegrande. Foram 11 os meses de luta de 38 combatentes contra todo o Exército boliviano apoiado pela CIA, para chegar ao fim da pretensa revolução na América Latina.
Guevara foi preso e assassinado no povoado de La higuera, em 8 de outubro de 1967. Mais vivo do que há 35 anos, o guerrilheiro é responsável pela existência da região que é a “Meca” de cientistas, arqueólogos, antropólogos, historiadores e claro, mochileiros. O turismo local explora a “Ruta de Che” (“Rota de Che”). …..Antes da empreitada do mitológico Che, a Bolívia já contava com o MNR (Movimento Nacional Revolucionário – 1951), que acaba em 1964, sendo implantado o Regime Ditatorial. Em 1982 surge o MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária). Um ano depois há a abertura política do país. …Hoje a economia boliviana gira em torno da agricultura, petróleo, comida e bebida, mineração e gás natural e plantação da coca.
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