
Ed Carlos Burgatt, ex-chefe da Central de Regulação da Saúde do Estado – Foto: Reprodução
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou o pedido de liberdade impetrado pela defesa de Ed Carlos Burgatt, ex-chefe da Central de Regulação da Saúde do Estado, e de Felipe Paraoschi Jafar, ex-servidor da Agesul. Ambos seguem presos preventivamente no âmbito da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o Ministério Público, Ed Carlos usava o controle sobre a distribuição de leitos, exames e cirurgias de alta complexidade no Estado como moeda de troca para pressionar prefeituras sul-mato-grossenses a contratar, com inexigibilidade de licitação, os materiais didáticos da Editora Avante — empresa ligada ao grupo investigado.
“Saúde Zero”
Entre as provas colhidas pelo Gaeco após a quebra de sigilo telefônico, destaca-se uma conversa em que Ed Carlos orienta o vendedor Gabriel Taquino a ameaçar a gestão de Nova Alvorada do Sul após entraves nas negociações.
“Vou trancar… vou ligar pro prefeito… eu tranco tudo aqui e não ajudo eles em nada… saúde zero”, declarou o então chefe da Regulação.
Após o acerto da venda dos livros no município, novas interceptações revelaram o direcionamento de recursos estaduais como contrapartida. Enquanto o intermediário confirmava que Ed Carlos receberia R$ 80 mil de propina, o servidor prometia liberar R$ 300 mil em cota de exames e cirurgias para a cidade.
Esquema de R$ 27 Milhões
A Operação Gutenberg investiga crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Ao todo, a ação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
De acordo com a nota oficial emitida pelo Gaeco, o montante movimentado pela organização criminosa ultrapassa R$ 27 milhões:
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Modus Operandi: A rede cooptava servidores estratégicos para fraudar compras públicas diretas de livros paradidáticos.
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Ocultação: O dinheiro vindo dos cofres municipais era fracionado e repassado a dezenas de pessoas físicas e jurídicas para dissimular a origem ilícita.
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Continuidade: O MPE alertou que o grupo mantinha contratos ativos e operantes em diversas prefeituras até a eclosão da operação.
O Nome da Operação
O nome Gutenberg faz alusão direta a Johannes Gutenberg, inventor da imprensa moderna. Segundo os investigadores, a ironia do nome reside no fato de que os livros — historicamente associados à difusão do conhecimento — eram utilizados no esquema como mera fachada jurídica para encobrir o desvio de verbas públicas da saúde.

