Inseridas na sociedade urbana, as aldeias Tereré, Lagoinha e Córrego do Meio, em Sidrolândia, abrigam os povos indígenas da etnia Terena. Com suas necessidades específicas e modo peculiar de viver, esses indígenas agora estão fazendo parte do Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego, o Pronatec Indígena, uma iniciativa pioneira no Brasil. Mato Grosso do Sul é primeiro Estado do País a oferecer esta qualificação destinada exclusivamente aos povos indígenas.
Os alunos do programa receberam na segunda-feira (4) a visita da coordenadora de Proteção Social Básica, Marcia Teresinha Ratti e da chefe de gabinete da Fundação de Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Lirce Cânepa, ambas da Secretaria de Estado de Trabalho de Assistência Social (Setas), e também da secretária municipal de Assistencia Social de Sidrolândia, Joana Marques. A Setas faz o monitoramento do Pronatec Indígena no Estado.
Inicialmente na cidade, através do programa, foram oferecidos cursos em três áreas: Pedreiro, com 20 vagas; Costureiro Industrial, com 20 vagas; e Padeiro com 16 vagas. Segundo o Senai, responsável pela execução do curso no município, todas as vagas foram preenchidas, e mesmo com a desistência de alguns alunos, a expectativa é a de que nos três cursos o índice de formação supere os 50%.
Para Joana Marques, secretária municipal, os cursos vêm caminhando bem e correspondem a um desejo dos indígenas. “Por se tratar de uma novidade para eles (índios) é normal que haja ainda uma fase de observação para que ganhem confiança. Mas de maneira geral, a maioria se adaptou muito bem e está evoluindo, o que representará um ganho para eles e para a cidade também”.
Aos 28 anos e mãe de três filhos, a terena Vandia Rodrigues não teve dúvida quando soube da oferta de qualificação destinada aos indígenas. “Quando soube que nós teríamos a oportunidade de fazer um curso, quis logo fazer a minha inscrição no curso de padeiro. Para mim vai ser muito bom ter uma profissão. Quero trabalhar e ajudar meu marido a sustentar a casa”, revela. Indagada se pensa em parar por aqui, Vandia é enfática. “Quero concluir o curso e depois, se vier outros, fazer mais e mais”, diz.
Com a mesma linha de pensamento, a viúva e mãe de sete filhos, Alaide Gabriel (52), afirma que a idade não é problema, e que agora seu objetivo é aprender mais. “Estou gostando bastante do curso. O professor é muito legal e ensina a gente a fazer bolos, tortas e pão. Se não der pra trabalhar na padaria, posso fazer aqui em casa e vender pra vizinhaça e na feira. Não quero parar mais.” Alaide apenas lamenta por alguns colegas que pararam o curso. “É uma pena que alguns tenham parado. Minha vizinha foi pro Paraná e a outra pra Dourados. Esse povo aqui gosta de andar”, revela aos risos.
Durante o período de curso os alunos indígenas recebem transporte e alimentação, além de certificado ao concluírem. A previsão de encerramento dos cursos desta etapa do programa é para o início de abril.
