O filme “O Palhaço” conquistou mais da metade das 13 indicações durante a cerimônia de entrega do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro nesta segunda-feira (15). O primeiro prêmio do longa foi anunciado para a categoria Melhor Roteiro Original, por conta do trabalho de Selton Mello e Marcelo Vindicatto. A premiação foi realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com transmissão pela televisão no Canal Brasil.
Selton Mello também venceu como Melhor Ator e o filme foi escolhido como na categoria Melhor Longa Ficção pelo voto popular.
“Muito obrigado foi um prazer enorme escrever esse filme junto com um amigo que tenho enorme admiração, Marcelo Vindicatto”, disse Selton Mello ao subir pela primeira vez ao palco. Mais tarde, o filme faturou outras sete categorias: Melhor Trilha Original, Figurino, Maquiagem, Direção de Arte, Direção de Fotografia e Montagem, com o ator Paulo José garantindo o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante.
O responsável pela música do filme, o premiado Plínio Profeta, celebrou a estatueta com um “agora é rumo ao Oscar”. Mais tarde, Selton comparou o picadeiro com a sétima arte. “O cinema é uma espécie de circo, você vai numa cidade monta o set”, brincou o ator.
Segundo longa-metragem dirigido por Selton Mello, “O Palhaço” foi o recordista de indicações, figurando em 13 categorias. Na sequência estão “O Homem do Futuro”, com 11, e “Bróder”, com dez — produções com bilheterias acima de R$ 1 milhão no Brasil.
Antes do início da cerimônia, Selton Mello destacou a importância de “O Palhaço” em sua carreira. “Tenho me sentido pleno atrás das câmeras”, disse. O longa foi a opção brasileira enviada para disputar um lugar entre os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na cerimônia de 2013, a 85ª da Academia norte-americana.
Deborah Secco
A atriz foi a grande vitoriosa na categoria Melhor Atriz pelo papel da escritora e ex-prostituta Raquel Pacheco, conhecida pelo codinome Bruna Surfistinha.
Duas estatuetas
“O Homem do Futuro” venceu duas categorias da noite: Melhor Efeito Visual e Melhor Som. “Bruna Surfistinha” também garantiu duas estatuetas por conta do trabalho de Drica Moraes, vencedora do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, e do trio Antonia Pellegrino, Homero Olivetto e José Carvalho, responsável pela vitória na categoria Melhor Roteiro Adaptado. O texto do filme foi baseado na obra “O Doce Veneno do Escorpião”, escrito pela própria Bruna Surfistinha.
“Lixo Extraordinário”, de João Jardim, Karen Harley e Lucy Walker, também foi vitorioso em duas categorias: Melhor Montagem de Documentário, pelo trabalho de Pedro Kos, e Melhor Documentário.
Demais filmes
Entre os longas-metragens voltados ao público infantil, a obra de Ziraldo foi lembrada com o prêmio ao filme “Uma Professora Muito Maluquinha”, de André Alves Pinto e Cesar Rodrigues. Os diretores dedicaram o premio ao dia dos professores e ao ator Chico Anysio que foi o seu ultimo filme, alem de Ziraldo autor do livro e do roteiro.
No longa, a atriz Paola Oliveira protagoniza a professora maluquinha. “Queria agradecer especialmente a Ziraldo, temos que fazer mais filmes infantis”, pronunciou um dos diretores Cesar Rodrigues.
Na categoria internacional, o filme escolhido pela Academia Brasileira foi “Meia-Noite em Paris”, filme de Woody Allen. A ficção concorreu com “Cisne Negro” de Darren Aronofsky, “Um Conto Chinês” de Sebastian Borensztein, “A Pele que Habito” de Pedro Almodóvar e a animaçáo “Rio” de Carlos Saldanha.
Entre os curtas-metragens, os premiados foram “”Pra Eu Dormir Tranquilo”, de Juliana Rojas (ficção), “Verdadeira História da Bailarina de Vermelho”, de Alessandra Colassanti e Samir Abujamra (documentário) e “Céu no Andar de Baixo”, de Leonardo Cata Preta (animação).
O documentário vencedor da noite foi “Lixo Extraordinário”, vencedor da categoria Melhor Longa Documentário (escolha do júri do festival). O filme levou mais de 4 anos para ser produzido até ser lançado.
A categoria Melhor Trilha Sonora teve como o vencedor foi “Rock Brasília”.
Voto Popular
“O Palhaço”, eleito melhor longa ficção pelo voto popular, concorreu com “Bruna Surfistinha”, “O Homem do Futuro”, “Bróder” e “Assalto ao Banco Central”. Já a animação “Rio”, de Carlos Saldanha, foi eleita como Melhor Longa Estrangeiro pelo sistema de votação. “Quebrando Tabu”, de Fernando Grostein Andrade, foi eleito o Melhor Longa Documentário.
Homenagens
A edição de 2012 do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro trouxe uma homenagem ao diretor alagoano Cacá Diegues. Ao ser perguntado sobre o momento, o diretor se disse feliz por ser lembrado. “Estamos vivendo o momento mais rico do cinema brasileiro, estamos lançando mais de 100 filmes por ano”, afirmou.
Outro homenageado foi o diretor Carlos Reichenback, falecido em junho de 2012. Já o Prêmio de Preservação foi destinado ao cineasta Gustavo Dahl, por conta do trabalho do diretor pela conservação da memória do cinema brasileiro.
uol
