Do pelo de cordeiro surge uma nova esperança para homens e mulheres indígenas de Dourados. A lã é a principal matéria-prima para a produção mensal de mais de 60 peças, entre tapetes, chales, trilhos de mesa entre uma infinidade de produtos que revelam a identidade cultural dos guaranis caiuás. A percepção é visível nas cores e nos formatos das peças, que revelam verdadeiras histórias dos povos indígenas de Dourados. O sonho é de levar para o mundo a cultura guarani.
Ontem foi dia de festa para mais de 20 indígenas que participam do Projeto “Centro de Tecelagem” do Ponto de Cultura para Todas as Idades, do Instituto para Desenvolvimento da Arte e da Cultura (Idac). Depois de meses de aprendizagem, o novo grupo recebeu da presidente do Idac, June Torres, o certificado de conclusão do curso. Para ela, muito mais do que dar o peixe, a entidade está ensinando a pescar. “É uma forma de manter viva a cultura indígena e de criar um mecanismo para o auxílio a renda familiar”, destaca.
O poeta Emannuel Marinho, um dos idealizadores do projeto de tecelagem, diz que há 3 anos, descobriu via pesquisa que até a década de 70 a tecelagem fazia parte do dia-a-dia da comunidade indígena local e que de lá para cá esta atividade desaparecendo. “Conseguimos convênio com o Ministério da Cultura, através da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e Secretaria Municipal de Educação. A partir daí foi possível angariar todo o material que é doado as artesãs. A idéia é que através do comércio das peças produzidas, as indígenas possam adquirir novos materiais e caminhar com as próprias pernas. É o primeiro passo para uma longa jornada de sucesso”.
Para a indígena Marilda Duarte, o curso é a realização de um sonho. “Hoje temos a esperança de dias melhores”, comemora. A guarani Cremilda Batista, de 33 anos é mãe de 8 filhos. Alguns deles já ajudam a mãe no tear. “Já estamos fazendo encomendas dos tapetes e o dinheiro servirá para investir no negócio; com o tempo já vamos poder ajudar o marido nas despezas da casa, já que é só ele quem trabalha”, destaca.
Confecção
Todo o processo é artesanal. A instrutora do curso Joseja Marques Mazarão, diz que a lã vem de parceria com criadores de carneiros da região. São oito horas até transformar o pelo em linhas. Para colorir as peças, plantas como cedro rosa, erva-mate e sangra d’agua são utilizadas num processo que dura horas. O resultado são peças coloridas que dão vida a qualquer ambiente. Os valores variam entre R$ 10 e R$ 60.
o progresso/foto : Homero Torres

