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Exposição retrata obras do artesão corumbaense Lídio Sampaio

por Redacao
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Como parte integrante da programação dos 40 anos do Grupo ALEC (Academia de Literatura e Estudos de Corumbá), foi aberta na manhã deste sábado, 31 de março, uma exposição com peças do artesão corumbaense Lídio Sampaio, na sede do Imnegra (Instituto da Mulher Negra do Pantanal).

Lídio começou o trabalho com a madeira ainda bastante jovem, aos 15 anos de idade. Na época, o adolescente queria mesmo aprender a moldar o barro, mas como não podia frequentar as aulas que ensinavam a cerâmica resolveu, ele mesmo, buscar num material farto em seu quintal: reproduzir o que de mais belo a natureza lhe apresentava.

A fauna do Pantanal proporcionou o primeiro modelo que esculpiu. Na verdade, o início teve um pouco de influência de Hollywood como o artesão explicou ao Diário. “A gente não tinha essa facilidade de ver o bicho sempre, então, no cinema, naqueles filmes de Tarzan, apareciam o jacaré, quer dizer, era crocodilo, bem diferente do que nós temos aqui”, disse ao lembrar que levou uma semana para concluir a pequena peça que hoje salta nos moldes pantaneiros consumindo cerca de duas horas de trabalho.

Ele chegou a usar cartões-postais com fotos de nossos animais para basear o traçado de suas criações. Lídio exigia muito mais do seu trabalho e, mesmo não dispondo de tempo para aulas de desenho que ajudam nos riscos iniciais das peças, já que o artesanato não era a única atividade que exercia, ele investiu num curso por correspondência. “Ainda não dava para viver só da arte, atuei na construção civil”, disse.

O poeta Benedito C.G. Lima, integrante do Grupo Alec, que promove a exposição do artesão, destaca os trabalhos de cunho religioso esculpidos pelo corumbaense. “Ele foi instrutor de artes em madeira num Projeto da Cidade Dom Bosco.Ali, naquele espaço, descobriu-se frente a frente com um novo desafio: produzir esculturas sacras, uma vez que católico de ‘quatro costado’, focou-se nessa diretriz como forma de agradecer a Deus. Por isso, dedicou-se a fazer uma escultura de São Vicente de Paulo, Jesus Cristo, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora do Pantanal, Nossa Senhora dos Remédios”, comenta.

Quando fala de seu trabalho dentro da temática religiosa, Lídio destaca a imagem de São Vicente de Paulo, instalada na igreja localizada no bairro Popular Velha. Ainda na igreja de São Francisco, em Poxoreú, em Mato Grosso, Lídio assina duas peças: Nossa Senhora do Pantanal e Jesus Cristo. O estilo que o artesão imprime nas peças sacras, sem o uso de tinta, optando apenas pela cor natural da madeira, já lhe rendeu elogios da artesã Izulina Xavier, referência na arte de Mato Grosso do Sul.

O artesão tem peças espalhadas por vários países como Estados Unidos, Itália, Argentina, Suíça, sem contar aqueles que encantaram personalidades e artistas como a cantora Rita Lee que, quando esteve na cidade, adquiriu uma das peças do artesão.

A preferência de Lídio é a cerejeira, madeira mais macia e leve para se manipular. Apesar das várias peças comercializadas, ele ainda continua a moldar os troncos na oficina no quintal de sua casa. “Ainda não fiquei rico com o artesanato”, desabafa em tom de brincadeira. Além do formão, ele usa a grossa, instrumento que confere um acabamento mais arredondado e imprime uma característica singular em cada peça, na opinião do artesão.

A Mostra Individual do artesão Lídio Sampaio segue até o dia 13 de abril, na sede do IMNEGRA, localizada na rua Delamare, 949, Centro, em horário comercial.

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