Espertas, curiosas, dispostas a aprender, crianças de 7 a 14 anos participaram na manhã desta quinta-feira (28) das primeiras atividades do Espaço Eco-Criança, uma novidade que o Festival apresenta neste ano como proposta de educação ambiental para o público infantil. A primeira turma, formada por nove meninos e meninas, se encantou com a oportunidade de ouvir do próprio escritor Paulo Robson de Souza explicações sobre cada estória contada – e cantada – no livro “Animais, Mais Mais – Música, Poesia e Muito Mais”.
O biólogo é autor da publicação ilustrada que fala de bichos de todas as espécies, em formato de rimas e versos, e com um CD que traz os textos musicalizados. As melodias seguem o ritmo de cada tema. A Balada do Beija-Flor, a Marchinha do Pinguim, a Valsa da Formiga, A Polca da Tartaruga, e muito mais – mais mais. Animais terrestres e marinhos, aves, insetos, mamíferos, desfilam descontraídos pelas páginas, despertando a curiosidade e levando informação aos pequenos.
No Espaço Eco-Criança, o dia começou com o bate-papo literário do autor com a meninada. Como um professor de educação infantil, Paulo Souza contava em linguagem muito simples algumas curiosidades dos animais; ao ler o que é contado no livro, a turminha já parecia entender tudo. Então, dá-lhe música, e lá estavam as crianças aprendendo a letra e balbuciando O Frevo da Capivara.
Não foram raros os momentos em que eram elas que pareciam ensinar aos adultos – o escritor, as arte-educadoras monitoras do projeto. Não está no livro, mas existe nos Estados Unidos um peixe que sobe altas cachoeiras de um jeito único – garantiu Lucas Holsback Menegucci, cheio de certeza. Do avestruz, Hércules Moraes tem história pra contar. Aconteceu na fazenda do avô: a descoberta de um ovo, a tentativa de apanhá-lo e a revolta do animal. “Ele começou a me bicar, me bicar”. A fuga frustrada com o ovo não foi culpa do menino, ele garantiu. “O meu cavalo era ruim, não conseguiu correr”, contou.
Fim da aula teórica, hora do aprendizado prático sobre reciclagem. Sentados no jardim da praça, a ordem foi colocar mãos à obra, exercitar a coordenação motora e dar uma forcinha à natureza reciclando caixas de suco que iriam para o lixo. A missão: transformar o objeto em uma simpática tartaruguinha. Tesoura, jornal, cola, pincel, tinta colorida. Uns com mais desenvoltura, todos com a mesma dedicação, e lá estava a coleção de tartarugas criadas pelas próprias mãos das crianças.
“A nossa idéia é que eles saiam daqui com conteúdo”, explica Melly Sena, que é responsável pelo projeto juntamente com as colegas gestoras de Arte e Cultura, da Gerência do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Fundação de Cultura MS) Cristina Moura, Kelly Rodrigues e Patrícia Agueno.
No mural de encerramento das atividades, onde cada criança deixa um “Recado para o Mundo”, as mensagens traduzem com simplicidade o que elas querem para o futuro:
“Não desmate, não queime não destrua”. (Aldemar Jr.)
“Cuide do Meio Ambiente” (Caterine)
“Cuide do Planeta e Ajude o Meio Ambiente” (Laiza)
“Preservem o mundo, se não daqui uns dias você não vai ter ele”. (Hércules Moraes)
“Cuide da natureza. Bonito é bonito”. (Érica)
“Não polua o planeta. Sem a poluição o planeta fica mais lindo”. (Gabriel Enrique)
“De que adianta salvar o planeta se não salvar as pessoas que vivem nele”. (Lucas)
Até o fim do 12º Festival de Inverno, mais crianças podem participar das brincadeiras, oficinas e conscientização ambiental. Além das oficinas há espaços alternativos, como o canto para jogos didáticos que trazem a temática ambiental, e as estantes com obras do acervo infantil da biblioteca Isaias Paim. O Eco-criança também tem um espaço para exibição de vídeos sobre a literatura e o meio ambiente. As inscrições podem ser feitas diretamente no estande, na praça da Liberdade.

