As folhas verdes ficaram secas, queimadas, sem força para madurar o milho. A lavoura de trigo ao lado também não escapou.
A primeira geada já tinha sido muito forte, aí veio a chuva, muita água por vários dias e as lavouras ficaram encharcadas. Com a segunda geada, a água congelou nas plantas e no solo e o prejuízo foi ainda maior.
O agricultor Jurandir Tomazi plantou 70 hectares de milho e 100 de trigo. Ele já calcula que metade de toda a produção foi perdida.
A Secretaria de Agricultura do Paraná divulgou um balanço dos prejuízos da primeira geada. O milho teve quebra, até agora, de 35%. Da expectativa de oito milhões de toneladas, devem ser colhidas apenas 5,3 milhões.
O trigo ainda pode se recuperar, mas já acumula perda de 9%. A colheita prevista de 2,860 milhões de toneladas deve cair para 2,600 milhões de toneladas, prejuízo que passa de R$ 1,200 bilhão.
Em Mato Grosso do Sul, o agricultor Luiz Roos se destaca na produção de milho em Maracaju. O município, maior produtor do grão no estado, é um dos mais castigados pela geada.
Depois de dois dias seguidos de baixas temperaturas e lavouras cobertas de gelo, o agricultor agora anda pelo milharal e contabiliza o prejuízo: 50% da área plantada dos três mil hectares já não servem mais para o mercado.
As folhas ficaram secas e o produtor, que também é engenheiro agrônomo, explica que os grãos estão molhados, sinal de que a planta está morrendo.
A Fundação MS fez um levantamento dos reflexos da geada. Só em Maracaju, as perdas podem chegar aos R$ 33 milhões. Os prejuízos se estendem também por boa parte das regiões sul e central do estado. A média de produtividade, que no ano passado foi de 65 sacas por hectare deve cair para 40 em 2011.
