
Medida atinge contratos de agosto ligados à PKL One, operadora de crédito vinculada ao banco de Daniel Vorcaro – Foto: REprodução
Os servidores públicos estaduais de Mato Grosso do Sul que têm empréstimos ou cartão consignado ligados ao CredCesta não tiveram as parcelas descontadas do salário de agosto. A suspensão foi confirmada pela SAD (Secretaria de Estado de Administração).
O CredCesta é emitido e operado pelo Banco Master. Já a PKL One Participações é responsável pelo registro da consignação e aparece no contracheque dos servidores como destinatária dos descontos mensais.
Segundo a SAD, os descontos foram interrompidos porque a PKL deixou de manter contrato com a empresa terceirizada que opera o sistema de consignados dos servidores estaduais.
Enquanto as empresas não resolverem o impasse contratual, os valores continuarão sem ser descontados diretamente da folha de pagamento.
Isso, porém, não significa que a dívida deixou de existir. Empréstimos, parcelas e outros valores contratados pelos servidores continuam válidos. O que está suspenso, por enquanto, é apenas o desconto automático no salário.
A interrupção é mais um capítulo do histórico de restrições envolvendo o CredCesta no Governo de Mato Grosso do Sul. Desde novembro de 2025, está proibida a emissão de novos cartões de crédito consignado para servidores estaduais, conforme o Decreto nº 16.690/2025.
O CredCesta também vinha sendo alvo de reclamações, pedidos de bloqueio e ações judiciais de servidores e entidades que questionam taxas, retenções e cobranças relacionadas às operações do Banco Master e de empresas parceiras.
Mais de mil ações envolvendo PKL e Master em MS
Consulta aos sistemas do Judiciário mostra que já passam de mil as ações registradas em Mato Grosso do Sul envolvendo a PKL One e o Banco Master.
O número de processos cresceu após operações do Banco Central e da Polícia Federal, em meio a questionamentos de servidores públicos e aposentados sobre contratos de empréstimos consignados.
Uma das ações foi apresentada pela Feserp (Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais), mas o pedido foi negado pela 2ª Vara de Direitos Difusos de Campo Grande.
Entre os autores dos processos estão pessoas que pedem a revisão dos contratos ou alegam cobranças abusivas. Algumas foram reconhecidas como superendividadas, situação que permite reunir diferentes credores em uma tentativa de renegociação das dívidas.
Servidores públicos e aposentados são um público frequente desse tipo de crédito porque possuem renda fixa e podem autorizar o desconto das parcelas diretamente no salário ou benefício. Para receber esses valores, as instituições financeiras precisam estar credenciadas junto ao órgão responsável pela folha de pagamento.
Na ação, a Feserp alegou dificuldade dos servidores para obter informações precisas sobre as dívidas e negociar com os credores. A entidade queria que a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado suspendessem os repasses dos descontos ao Banco Master e ao CredCesta diante das suspeitas de fraude financeira.
O processo, porém, não avançou porque a Justiça entendeu que a entidade não tinha legitimidade para representar todos os servidores atingidos.
