
O reajuste anunciado pela prefeita Adriane Lope é de 4,39%, o que repõe apenas a inflação dos últimos 12 meses – Foto: Reprodução
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), anunciou um reajuste salarial de 4,39% restrito exclusivamente aos servidores públicos concursados do município. O índice, que repõe apenas a inflação dos últimos 12 meses, gerou controvérsia ao ser apresentado logo após aumentos expressivos nos subsídios da própria chefe do Executivo e de seu primeiro escalão, além de deixar de fora milhares de trabalhadores temporários e inativos.
O projeto de lei com a correção dos vencimentos dos servidores efetivos será encaminhado para votação na Câmara Municipal. Este é o primeiro reajuste concedido aos trabalhadores desde que a prefeita assumiu o cargo, em abril de 2022.
Disparidade nos reajustes da alta cúpula
Os percentuais concedidos à administração municipal contrastam com o índice anunciado para o funcionalismo. Conforme dados do Portal da Transparência, a evolução salarial nos últimos dois anos aponta:
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Prefeita: O subsídio de Adriane Lopes saltou de R$ 21.263,62 para R$ 31.912,16, o que representa uma alta de 50% — valor duas vezes acima da inflação do período.
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Secretários Municipais: A categoria obteve um reajuste de 119,55%, com os salários passando de R$ 11.619,70 para R$ 25.511,95. Mesmo sob o decreto de contingenciamento vigente, que aplica um corte de 20% e fixa os vencimentos atuais em R$ 20.409,56, o aumento real acumulado é de 75%.
Divisão no funcionalismo e perdas inflacionárias
Dos cerca de 30 mil servidores públicos municipais da capital, a medida não atingirá a totalidade da folha de pagamento de forma igualitária:
| Categoria | Quantidade | Impacto da Medida |
| Servidores Efetivos (Concursados) | 17,4 mil | Receberão o reajuste de 4,39%. |
| Servidores Temporários | ~8,5 mil | Excluídos. Seguem com salários congelados pelo 4º ano consecutivo. |
| Aposentados e Pensionistas | 4,1 mil | Excluídos. Não receberão a reposição da inflação. |
Defasagem salarial acumulada
Sindicatos e analistas apontam que o índice de 4,39% não recupera o poder de compra perdido nos últimos anos. Considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E) acumulado desde abril de 2022, a reposição necessária para anular as perdas inflacionárias deveria ser de 19,9%.
O último reajuste linear concedido ao funcionalismo municipal ocorreu na gestão de Marquinhos Trad, que aplicou um índice de 10% parcelado em duas vezes. Historicamente, gestões anteriores, como as de André Puccinelli e Nelsinho Trad, mantinham a tradição de garantir anualmente o IPCA-E com margens de ganho real.
Histórico: Logo após tomar posse, a prefeita Adriane Lopes havia declarado publicamente que as finanças do município estavam equilibradas e com caixa disponível. No entanto, nenhum reajuste foi concedido ao funcionalismo geral nos anos de 2023, 2024 e 2025, culminando na atual proposta de correção parcial para 2026.
