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Mato Grosso do Sul integra rede nacional de proteção a onças no Pantanal

por Redacao
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O IHP integra a rede de defesa da onça pintada em Mato Grosso do Sul – Foto: Arquivo

A conservação da onça-pintada no Pantanal ganhou uma nova e poderosa ferramenta de ação coletiva com a formalização da Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças. A iniciativa, que teve seu marco fundacional em novembro de 2025, em Poconé (MT), reúne organizações ambientais, cientistas e produtores rurais dos dois estados que abrigam o bioma, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em um esforço unificado para conciliar a proteção do maior felino das Américas com os interesses das comunidades locais.

A proposta, fomentada pela WWF-Brasil, evoluiu de um grupo técnico de trabalho para uma rede estruturada com propósito e metas comuns. Entre os integrantes está o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), organização com atuação consolidada em Mato Grosso do Sul. A rede também conta com a participação de entidades como a Panthera, o Instituto Pró-Carnívoros, o Onçafari e o ICMBio, formando uma coalizão ampla e diversa.

Para Cyntia Cavalcante, analista de conservação do WWF-Brasil, a formalização representa um avanço na governança ambiental no Pantanal. “O que começou como uma articulação entre pesquisadores e produtores, agora ganha estrutura para gerar resultados reais. A Rede amplia o diálogo, mas também cria caminhos para políticas públicas e práticas de manejo mais eficazes”, destacou por meio de assessoria de imprensa.

Encontro em Campo Grande vai discutir defesa dos felinos do Pantanal

Um dos primeiros grandes eventos da rede terá palco justamente em Mato Grosso do Sul. A coalizão marcará presença na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que será realizada em Campo Grande, entre os dias 23 e 29 de março. A participação no evento internacional coloca a discussão sobre a coexistência com grandes felinos em um fórum global.

O plano de ações para 2026 da rede inclui, além da participação na COP, uma série de atividades práticas. Estão previstas capacitações para produtores rurais, ampliação do diálogo com comunidades pantaneiras e intercâmbio de informações entre instituições. O objetivo é desenvolver e promover técnicas que reduzam os conflitos, como sistemas de proteção para rebanhos, minimizando prejuízos e desestimulando retaliações contra os felinos.

Em Mato Grosso do Sul, a atuação do IHP através da Rede Amolar, programa de proteção da Serra do Amolar, ganha reforço com a integração à rede pantaneira. Neste ano, a região será alvo de um estudo específico para estimar a população de onças-pintadas, utilizando 40 armadilhas fotográficas adquiridas em parceria. Os dados gerados serão fundamentais para orientar ações locais de conservação, alinhadas à Década da Restauração dos Ecossistemas da ONU.

A iniciativa conta com um importante laboratório a céu aberto: a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, a maior do Brasil. A reserva mantém uma pesquisa contínua sobre onças desde 2013, com um banco de dados que já identificou 39 indivíduos e acumula mais de 300 mil registros audiovisuais da fauna. Esse conhecimento técnico será um pilar para as ações da rede.

A criação da Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças sinaliza um amadurecimento da conservação no bioma, transitando de ações isoladas para uma estratégia integrada e coletiva. Com a forte participação de instituições de Mato Grosso do Sul, o Estado se posiciona na vanguarda do desafio de garantir um futuro onde pessoas e onças possam, de fato, coexistir no Pantanal.

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