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Adolescente morre em clínica de reabilitação após internação compulsória em MS

por Redacao
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A clínica foi alvo foi alvo de inspeção em março deste ano – Foto: Arquivo/ DPMS

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul conseguiu, na Justiça, o fechamento da clínica Hazelden BR, localizada em Fátima do Sul, onde uma adolescente de 16 anos, com problemas psicológicos, morreu após ser amarrada e sedada.

A ação civil pública apontou várias irregularidades na internação de mulheres e adolescentes que sofrem de transtornos mentais e dependência química, na clínica pertencente ao grupo Day Top.

Conforme explicou a defensora Eni Diniz, a Defensoria Pública chegou a advertir os responsáveis pela unidade por escrito e, em outra ocasião, solicitou a interdição, mas não obteve resposta.

“A clínica Hazelden BR já havia sido denunciada pela Defensoria em outros processos. A situação se agravou diante das irregularidades constatadas nas inspeções. Além disso, a Polícia Civil de Fátima do Sul já instaurou portarias para apurar eventuais ilegalidades na condução do atendimento às pacientes”, destacou Eni Diniz.

O órgão apurou que a clínica recebe pacientes de vários municípios do interior do Estado, cujos familiares sequer ficam sabendo das condições às quais as munícipes são submetidas.

O Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) ajuizou a ação, apontando que a clínica não possui estrutura médica adequada para prestar o serviço.

Morte

A adolescente em questão foi internada compulsoriamente – isto é, contra sua vontade – na clínica e, mesmo com histórico psiquiátrico apontado como grave, foi mantida na unidade.

Além disso, havia uma recomendação médica para que a adolescente fosse transferida, com urgência, para um hospital psiquiátrico.

Consta no processo que, no dia 30 de junho, após sofrer um surto, ela foi contida pelos funcionários da clínica, amarrada e sedada. A adolescente acabou sofrendo uma parada cardiorrespiratória e morreu sem receber atendimento médico adequado, segundo a defensora.

Com o levantamento feito contra a clínica, o Judiciário determinou a suspensão imediata das atividades da unidade e proibiu que novos pacientes sejam internados no local.

Também determinou a liberação das pacientes que estão internadas, com acompanhamento pelas redes de saúde e assistência social.

Multa

A decisão estabeleceu multa diária de R$ 50 mil caso os responsáveis pela clínica descumpram o que foi determinado.

A Justiça apontou risco à vida e à integridade das internas, especialmente adolescentes,  e classificou a atuação da clínica como “exercício clandestino de serviço de saúde”.

A Defensoria Pública solicitou que os responsáveis sejam condenados ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, valor que deverá ser revertido ao fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial de Fátima do Sul. Fonte: Correio do Estado

 

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