Cento e cinco mil reais foi o valor da multa aplicada pelo Ibama à fazendeira Beatriz Rondon, proprietária da fazenda Santa Sofia, local onde o órgão e a Polícia Federal, realizaram a Operação Jaguar II, na última semana.
Na fazenda localizada na cidade de Aquidauana, na região do Pantanal do rio Negro, os policiais encontraram crânios de duas onças, dezesseis galhadas de cervos, couro de uma cobra sucuri, além de armamentos e munições, inclusive de uso restrito.
O valor da multa afixado pelo Ibama levou em conta o material de animais silvestres apreendidos, além de um laudo realizado pela Embrapa Pantanal nos crânios dos animais. Como o abate dos animais teve propósitos turísticos e pelo fato de a fazenda ser uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, o valor foi aplicado em dobro.
A Operação Jaguar II teve como ponto de partida para as investigações um vídeo enviado para a Polícia Federal. Na gravação, toda narrada em inglês, a fazendeira Beatriz Rondon aparece ao lado de caçador de onças, Antônio Teodoro de Melo Neto, e de um grupo de estrangeiros.
A cena mostra o grupo acuando uma onça parda no topo de uma árvore. O disparo é feito e o animal cai, sendo ladeado por cães. Na sequência, eles acuam uma onça-pintada, considerada um troféu mais valioso, de acordo com a narrativa. Ouve-se um disparo e a onça-pintada é abatida por um tiro certeiro; o animal cai e agoniza, os cães se aproximam. Um dos caçadores do grupo dá mais um tiro à queima-roupa na cabeça do animal.
Nessa cena aparece a proprietária da fazenda, Beatriz Rondon que fala para a câmera que “é uma fêmea muito linda, mas estava matando o meu gado”. O grupo comemora o final da caçada. Ao longo do safári o grupo atira também em várias capivaras.
Beatriz Rondon foi presidente da SODEPAN (Sociedade de Defesa do Pantanal), uma organização não governamental com atuação reconhecida em Mato Grosso do Sul.
O superintendente do Ibama no Estado, David Lourenço, disse que esse tipo de crime ambiental não é a única agressão ao Pantanal que está em curso. “Vamos continuar as investigações em todas as fazendas que tenham envolvimento direto ou indireto com esse crime”. Fonte: Diário Corumbaense (www.diarionline.com.br).
David acrescenta que a preocupação do Ibama é enorme diante do desafio de preservar o conjunto da planície pantaneira que está sofrendo agressões também de outras forças econômicas como a minero-siderúrgica que provoca o desmatamento de remanescentes do bioma cerrado para a produção de carvão usado nesse complexo industrial. “Temos constatado assoreamento de rios como o Taquari e o Paraguai e novas pressões sobre as matas nativas do pantanal. Isso tudo somado sem que tenhamos uma legislação especial de proteção para o Pantanal”, concluiu.

