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Terremoto no Japão pode balançar o preço dos alimentos no Brasil

por Redacao
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No entanto, não é só a contaminação que preocupa. Rafael Duarte, especialista em comércio exterior, alerta que a falta de alimentos no Japão pode causar impacto no mercado mundial e pressionar a produção brasileira.

A carne de frango brasileira é o segundo produto mais comprado pelo Japão. Dos U$ 1,4 bilhões vendidos ao parceiro oriental, 12,6% são referentes ao frango, o equivalente a U$ 906 milhões. O primeiro produto da balança comercial é o minério de ferro, com 45,8% da receita. Com a contaminação dos peixes, base da refeição oriental, o crescimento da compra de carne de frango é esperado.

Para Duarte, o fato de o Japão já ser um comprador dos alimentos brasileiros pode fazer com que o País sofra mais a pressão. “Brasil e EUA são os maiores parceiros do Japão e sofrerão a pressão para suprir a demanda por alimentos. O plantio dos EUA começa agora, eles só vão colher em junho e julho, então é normal que essa pressão aconteça mais sobre o Brasil, pois estamos em época de colheita. Pode haver um desvio, já que o preço internacional está mais atraente, causando um aumento dos valores na prateleira”, argumenta o especialista.

Ele ainda aponta mais um motivo para o encarecimento dos alimentos. “A crise do petróleo está começando, o preço do barril já disparou e isso afeta toda a cadeia produtiva. O petróleo é matriz energética e matéria-prima, é natural que os preços dos alimentos aumentem se o custo de sistema de transportes suba”. 

Quanto às exportações do minério de ferro, Duarte acredita que não haverá modificações no curto e médio prazo. “As indústrias estão paradas por causa da escassez de energia, ou seja, não estão consumindo matéria-prima. E mesmo que estivessem, o minério de ferro é algo que eles têm estocado. Quando o país tiver o plano de recuperação pronto, saberemos se a demanda por esse produto brasileiro aumentará ou não”, justifica.

Ele ainda ressalta que é uma oportunidade de o Brasil fazer novos parceiros comerciais, o que só depende do empresariado brasileiro. É também uma boa chance para o Brasil criar uma parceria na pesquisa sobre energias limpas com o Japão, juntamente com os EUA.

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