
“Esses músicos já tocaram comigo várias vezes, conhecem muito bem a minha proposta musical. Está bem bacana”, Toninho Porto sobre o show “de última hora” que será realizado hoje na Estação Cultural Teatro do Mundo – Foto: Divulgação
“Um show com as minhas músicas e os meus amigos tocando e com os meus amigos novos, velhos e futuros assistindo a gente. É só isso mesmo”. É assim, quase brejeiro e em meio à correria para deixar tudo pronto, que Toninho – Antônio Porto na certidão de nascimento – define o show bolado de última hora para marcar mais uma passagem sua pela Capital.
Tem sido dessa maneira desde os anos 1980, quando ele, já músico experimentado desde menino, trocou a Campo Grande natal por São Paulo e pelo mundo. Sempre que volta à cidade, Toninho apronta alguma.
Às vezes, uma gravação, uma ou algumas composições rascunhadas ou arrematadas no calor da prosa e até workshops de “liberdade musical” e, em quase todos os regressos, shows, jams, rodas de ritmos e melodias e por aí vai.
Às vezes, são encontros que transcorrem ao acaso, sem agendamento prévio. Mas, sempre que dá, a “coisa” vira evento, digamos, oficial, com ensaios, divulgação e outros requintes de produção.
É o que acontecerá desta vez, sem nenhum prejuízo para as altas voltagens de inventividade que não abandonam o estilo bem brasileiro e ao mesmo tempo universal desse virtuose da música sul-mato-grossense, um talento precoce capaz de ter dominado vários instrumentos – cordas, teclados, percussão, etc. – antes de sair da adolescência.
O que Toninho vai fazer com seus parceiros no palco durante a noite de hoje é celebrar a música e, como nos disse, também a amizade.
Em sessão única, a apresentação, a partir das 21h, na Estação Cultural Teatro do Mundo (Rua Barão de Melgaço, nº 177, Centro), ganhará registro audiovisual para, em algum momento, abastecer os canais do artista nas plataformas digitais de música e de vídeo.
Os ingressos custam R$ 20 (individuais), com reservas por WhatsApp: (67) 99696-9774.
Convidados
O nome do show é “Antônio Porto Convida”. E o time que completa a frase do título pode ser considerado uma big band daquelas.
Não pelo tamanho, mas pelos bons serviços prestados por todos os seis convidados que integram o elenco: Gabriel de Andrade (guitarra), Adriel Santos (bateria), Gabriel Basso e Luciano de Sá (ambos no contrabaixo; o primeiro nos temas instrumentais e o segundo nas canções), Renan Nonato (acordeão) e Júnior Matos, o Negretti, no saxofone.
“Esses músicos que vão tocar já tocaram comigo várias vezes, conhecem muito bem a minha proposta musical, a minha maneira de fazer música também. Está bem bacana”, anima-se Toninho.
São instrumentistas, de fato, reconhecidos por dominarem o ofício e que marcam presença com muita regularidade em diferentes ambientes da cena musical de MS.
Por exemplo, o saxofonista Negretti, do projeto “Crianceiras” e da Orquestra Camerata Violeira, entre outras incursões, trabalha diversos matizes do jazz, de John Coltrane a Michael Brecker, calibrando um solfejo de enunciado muito pessoal, em que sobressaem leveza e agilidade no conjunto de notas bem marcadas.
Adriel Santos, Gabriel Basso e Gabriel de Andrade, além de vários outros projetos e formações, são as três partes do El Trio, cultuado grupo de jazz que fez residência no Laricas Cultural em 2022 e costumava ser anfitrião de vários instrumentistas, entre eles Negretti e o próprio dono da bola no espetáculo musical de hoje.
Aliás, Toninho bateu ponto em várias jams do El Trio no ano passado e é possível que, de algum modo, “Antônio Porto Convida” tenha começado a nascer por ali na última primavera.
Repertório
Entre as canções do repertório do show, algumas são bem conhecidas do público local, a exemplo de “Abril”, parceria de Toninho com Celito Espíndola. Também no repertório estão “Cordel Chinês”, composta com Alexandre Lemos (RJ), e “Elementais”, que por várias edições serviu de trilha para promover o Festival América do Sul Pantanal (Fasp).
“Cara, na verdade, é o seguinte. Venho pouco a Campo Grande e, em todas as vezes que eu venho, tento fazer alguma coisa com os músicos daqui. Adoro tocar com eles. Além de músicos, grandes profissionais, são meus amigos também e sinto saudades de tocar com eles. Em todas as vezes que eu venho, procuro armar alguma coisa. Não importa o tamanho”, reforça Toninho.
“E dessa vez o Fernando [Lopes, encenador teatral e diretor], do Teatro do Mundo, abriu essa data para a gente. Foi meio de última hora que aconteceu tudo, mas a gente vai encarar. Vamos ver se aparece um público lá para ver a gente e tal”, diz o multi-instrumentista.
Além dos álbuns solo, Toninho acumula colaborações com Renato Teixeira, Almir Sater e Pena Branca & Xavantinho, Tetê Espíndola e Bianca Gismonti, entre outros nomes.
“É isso, são as minhas músicas. Metade do show vai ser instrumental… Não, diria que 30% vai ser instrumental e 70% são canções. E nós vamos gravar ao vivo tudo, um audiovisual. Até porque a gente precisa ter esse material, nem que seja para uma boa lembrança. Mas é sempre bom ter isso, então está bem bonito, cara, está bem legal”, afirma o músico.
Etno-jazz
Uma vez mais: toda uma brasilidade sedimentada nos múltiplos territórios sonoros do País, decantada na pesquisa da experimentação intensa e sofisticada que Toninho percorreu em alta quilometragem de estúdios da Europa e dos trópicos, talvez seja o traço marcante de sua expressão. “World music, etno-jazz e música brasileira”, no dizer do próprio músico.
Se fosse o caso de buscar uma aproximação, ouvindo na cabra-cega, é como se seu som partisse de um Sivuca nos anos 1970 e, mirando o Weather Report, chegasse na praia do Som Imaginário. Deu para entender? Não? Então basta apreciar. Com informações do Correio do Estado

