
O evento que encerra a programação do carnaval começa às 20h, na Avenida General Rondon – Foto: Silvio de Andrade
Depois da apoteose na Avenida General Rondon com o show de muito brilho, samba no pé e luxo das escolas de samba, o carnaval de Corumbá se despede nesta terça-feira (21) com a volta ao passado – no tempo da purpurina, da serpentina e do confete se entrelaçando entre os automóveis conversíveis, cobrindo o corpo da mulata e das ruas enfeitadas. É o Carnaval Cultural, que resgata o romantismo de uma festa onde até as marchinhas estão proibidas.
O desfile das dez escolas de samba, atraindo público recorde na passarela do samba, reafirmou a fama do melhor carnaval do interior do Brasil. A evolução dentro e fora da pista é alvo perceptível, nenhuma outra cidade do Estado chegou a um nível de profissionalismo como em Corumbá, onde a influência carioca é muito forte e a vinda de carnavalescos da Cidade Maravilhosa, trazidos pela Marinha ou atraídos pela cidade, foi preponderante para essa transformação.
Girando a economia
As escolas de samba são exemplos desse crescimento do carnaval corumbaense nas últimas décadas, depois de passar por um retrocesso na década de 1990 com a invasão dos ritmos baianos. A disputa pelo título será acirrada entre as maiores (Nova Corumbá, campeão do ano passado; Império do Morro, A Pesada, Major Gama e Vila Mamona). A cada ano, as agremiações se aperfeiçoam e houve menos quebra de carros alegóricos e falhas no enredo.
O carnaval, porém, ainda não atraiu o setor privado. Os custos com infraestrutura (camarotes, palco, arquibancadas, iluminação e sonorização digital) continuam sendo bancados pelo poder público. Este ano, incluindo o apoio financeiro às escolas e blocos, a Prefeitura e o Estado destinaram cerca e R$ 4 milhões para a festa. O carnaval vai movimentar R$ 25 milhões na cidade.
Tempos da brilhantina
O Carnaval Cultural foi introduzido na programação oficial da folia corumbaense neste século, resgatando as festas realizadas na cidade a partir do início do século XX, quando ainda era chamado de entrudo, uma brincadeira popular trazida pelos portugueses. Os primeiros blocos e ritmistas saíram da fortaleza da Marinha, que chegou em 1873 em Ladário, cidade vizinha a Corumbá. A primeira escola de samba – “Deixa Falar” – surgiu na década de 1940.
O evento que encerra a programação do carnaval começa às 20h, na Avenida General Rondon, com a saída dos bonecões (representando personalidades da cidade), corso (carros antigos), alas das pastoras e dos marinheiros, bloco de frevo, Comparsas da Bolívia (apresentação especial) e os cordões carnavalescos Paraíso dos Foliões, Cinelândia, Flor de Corumbá e Cravo Vermelho. A atração da noite será a Escola de Samba Mirim Corumbá do Amanhã. Com informações do Correio do Estado e Silvio Andrade

