Nesta terça-feira, 29 de novembro, é comemorado o Dia Nacional da Onça-pintada. A data foi oficializada por meio de Portaria do Ministério do Meio Ambiente (MMA) em 16 de outubro de 2018, com o objetivo de unir esforços em ações de divulgação sobre a importância ecológica, econômica e cultural da espécie. A Portaria declarou ainda a onça-pintada como Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade.
O maior felino das Américas, que necessita viver em grandes áreas preservadas, é protegido por diversas unidades de conservação geridas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de contar com o Plano Nacional (PAN) de Conservação da Espécie. Em 2018 foram criadas duas unidades de conservação para ajudar a proteger a espécie na Caatinga: Parque Nacional da Boqueirão da Onça e a Área de Proteção Ambiental (APA) Boqueirão da Onça.
Segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), estimativas indicam que 50% da população total de onças-pintadas do mundo estão no Brasil, entretanto a destruição do habitat aliada à caça predatória faz com que com esteja vulnerável à extinção. Elas vivem em diversos biomas: Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, mas é na Mata Atlântica e na Caatinga que ela é mais ameaçada.
Por isso foram criadas as duas unidades de conservação do Boqueirão da Onça, na Bahia, que já estão incluídas na proposta para a criação do Corredor Ecológico Caatinga-Onças, sendo de grande importância para conservação da biodiversidade. O Boqueirão da Onça é, possivelmente, o local com maior densidade de onças-pintadas do bioma, também serve como corredor ecológico para as onças que vem do Parque Nacional da Chapada Diamantina, passando pelo Parque Estadual do Morro do Chapéu, na Bahia.

A Portaria Ministério do Meio Ambiente (MMA) em 16 de outubro de 2018 declarou a onça-pintada como Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade – foto: Foto: Reprodução
Na Mata Atlântica, o ICMBio coordena um importante estudo sobre as onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, cujas ações implementadas para a conservação triplicaram a estimativa populacional da espécie na região. Este projeto, bastante inovador, inclui ações de pesquisa na ecologia da espécie, promoção da coexistência entre a fauna e as populações do entorno, educação ambiental, fiscalização e integração com ações semelhantes conduzidas na Argentina.
A população de onças-pintadas do Parque Nacional do Iguaçu tem um papel fundamental de ligação entre as populações do chamado Corredor Verde, que conecta as populações do Iguaçu, passando pela Argentina e chegando ao Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul.
O ICMBio, através do Cenap, coordena outras diversas iniciativas para a conservação da espécie, incluindo a coordenação de ações de conservação internacional, como o Jaguar RoadMap 2030, que inclui o combate ao tráfico internacional de partes de onças, criação de corredores entre fronteiras e promoção de ações conjuntas entre países.
Saiba mais
A onça-pintada é o maior carnívoro da América do Sul, o terceiro maior felino do mundo e o único representante do gênero Panthera (que inclui leões, leopardos e tigres) no continente americano. Amplamente distribuído por todo o Brasil, este mamífero é considerado desde os tempos pré-colombianos um símbolo de força e poder. Os carnívoros ocupam o topo da cadeia alimentar e têm um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, pois atuam na regulação do tamanho populacional de outras espécies animais. Em função disso, de um modo geral, necessitam de áreas extensas e com hábitat de boa qualidade para sobreviver.
Infelizmente as onças têm sido caçadas desde o início da colonização por razões que incluem aspectos: culturais, como a caça desportiva/recreativa; sociais, representando símbolo de status e força àquele que for capaz de capturar o animal; e econômicos – num primeiro momento, o comércio das peles e mais recentemente em função de eventuais ataques a rebanhos bovinos e outros animais de criação, gerando perdas financeiras aos criadores. A caça é um crime ambiental, mas ainda é praticada em todo o país.

