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Secretaria de Educação de Miranda promove ciclo de palestras

por Redacao
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A Secretaria Municipal de Educação e Cultura do Município de Miranda está promovendo, durante este mês de setembro, palestras motivacionais para os estudantes das séries finais do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino, no ciclo “O poder transformador da Educação”, a fim de inspirá-los a partir da experiência de alunos egressos das escolas municipais, os quais se tornaram profissionais de sucesso na vida.

A ação pretende despertar nos jovens uma perspectiva positiva mesmo diante das adversidades em que muitos estão inseridos – uma forma de desmistificar a tese generalizante do determinismo social e disseminar uma postura proativa em face dos desafios da jornada estudantil. Na quinta-feira (12/09), os alunos conheceram um pouco da história do Ademilson, ex-aluno da Escola Municipal Waldemar João de Souza. Nascido aos 25 de março de 1991, hoje com 28 anos, o advogado Ademilson Santos nem sempre ostentou tal título.

A história inspiradora de um jovem

Filho de Miranda, de mãe dona de casa e pai trabalhador braçal, Ademilson teve infância pobre e morou numa casinha de madeira depois da Cordil, perto do conhecido senhor Rony, no bairro Aparecida. Cursou os anos iniciais na Escola Waldemar, onde teve a sorte de ter tido como professoras as diletas senhoritas Francisca (que carinhosamente atende por Chiquinha), Enedina, Rosemer e Celinha.

Por volta de 2004 com a dissolução do matrimônio de seus pais, optou por morar com a mãe na cidade de Anastácio, distante 70 km de Miranda, ocasião em que trabalhou nos mais diversos trabalhos braçais, em áreas como carvoarias, plantações de eucalipto, obras asfálticas, construções civis, indústrias siderúrgicas, dentre outras.

No ano de conclusão do ensino médio (2010), participou de uma seletiva para estagiar no cartório eleitoral de Anastácio/MS (49ª ZE), em que participaram todas as escolas do município. A primeira fase consistia na realização de redação, sendo escolhida um texto por escola. Na ocasião, ele teve a oportunidade de ser selecionado para representar a Escola Estadual Romalino Alves de Albres.

Na segunda fase, juntamente com mais oito candidatos (um por escola), conseguiu novamente fazer uma boa redação e conquistar a única  vaga ofertada. Nesse estágio, teve o primeiro contato com os expedientes forenses. Assim, o que já era paixão virou amor e o sonho de cursar Direito intensificou-se.

Durante este mês de setembro haverá palestras motivacionais para os estudantes das séries finais do Ensino Fundamental – Foto: Divulgação

Concluiu o ensino médio em 2010 e, como sempre teve o sonho de cursar Direito, efetuou a inscrição para tal curso no mesmo ano, entretanto o fato de não ter parentes em Campo Grande e a crença (equivocada) de que “pobres não tinham condições para dar seguimento ao sonho de cursar uma faculdade” fizeram com que ele trancasse o curso antes mesmo de começá-lo.

Posteriormente ao fim do estágio e do ensino médio (dezembro de 2010), no período de 2011 a 2013, continuou a trabalhar em obras asfálticas sob sol escaldante, carvoarias e massas de altas temperaturas, roçadas e construção civil – momentos em que sempre pensava no que deveria fazer para trabalhar em um lugar limpinho e com ar condicionado. Questionava-se: Como ganhar um pouco mais? Como ter a moto e carro dos sonhos? E como realizar seu sonho de criança?

Foi quando, no início do 2014, juntamente com sua esposa Leticia, decidiu que iria realizar seu ideal de ser advogado. Mudou-se para Campo Grande, destrancou aquela matrícula de 2010 e iniciou o curso. Era um sonho tomando a forma de realidade dentro da universidade.

No começo, tudo o que o casal possuía cabia dentro da mochila de cada um – eram só alguns pares de roupas. Na primeira quinzena, dormiram no chão mesmo, até conseguirem um colchãozinho de solteiro por meio de doação. Os alimentos eram inicialmente preparados num micro-ondas, depois foi-lhes cedido um fogão, até que pudessem comprar um.

Chegando na capital, o primeiro emprego que Ademilson conseguiu foi na construção civil, onde laborou até meados de 2015. Não era fácil trabalhar no sol o dia todo, batendo massa e assentando tijolo; depois, permanecer em sala de aula até 22h30; chegar em casa a fim de descansar um pouco; sair de casa às 05h na manhã do dia seguinte, retornando apenas à meia-noite… e assim sucessivamente.

Ele conta que, muitas vezes, ficava sem dormir para que pudesse elaborar os trabalhos e realizar as leituras que os professores solicitavam. O advogado recorda que quase nunca podia comprar livros e assistir a palestras ou participar de eventos, devido à falta de tempo e recursos.

Assim que iniciou o quarto semestre da faculdade, um grande professor de nome Thiago Rafael, fez um discurso sobre capacidade. Ademilson sentiu que, apesar de a sala contar com mais 120 alunos, aquelas palavras de incentivo estavam sendo ditas diretamente para ele. Por isso, mudou totalmente seu posicionamento, passando a se sentar na frente, assumir as lideranças estudantis e fazer muitas leituras extracurriculares, até se tornar referência no âmbito acadêmico, inclusive ministrando aulas para colegas que tinham dificuldade.

Apesar dessa nova postura positiva diante da vida, quando o assunto era a temida prova da OAB a insegurança batia forte. No entanto, enquanto cursava o sétimo semestre, tomou coragem e realizou o XXIII exame unificado da OAB, (edição com maior índice de reprovação da história, 84,6 % de reprovação), no intuito de conhecer a tão temida avaliação e, para sua alegria, foi aprovado nas duas fases, tendo inclusive tirado nota 8,9 na prova escrita (2ª fase) que vale até 10. Contudo, vale ressaltar que a realização do exame antes do nono e décimo períodos não é válida, servindo apenas para treino.

Passada a euforia da aprovação (mesmo sabendo que não seria considerada para ingresso na OAB), Ademilson aguardou até que chegasse ao nono semestre, realizou o XXVI exame unificado da OAB e, mais uma vez, foi agraciado com a aprovação, que desta vez era para valer!

Hoje, no ano de 2019, o advogado está prestes a concluir sua pós-graduação em Processo Penal, e atua principalmente na seara criminal. Como gosta sempre de enfatizar, a advocacia não enriquece financeiramente, mas possibilita uma razoável qualidade de vida decorrente das atividades advocatícias, mesmo que ainda esteja dando os primeiros passos na carreira de jurista.

Relembrando o passado e incentivando o futuro por ações presentes

Ademilson aceitou o convite para abrir o ciclo de palestras no município de Miranda/MS porque gosta de levar aos jovens as suas histórias e experiências, principalmente sobre metas, disciplina, planejamento e importância da leitura, para que não precisem passar pelas dificuldades que passou e, sobretudo, para que valorizarem o professor, que assume um papel fundamental na formação de qualquer indivíduo, mediando o acesso ao conhecimento.

As palestras sobre “O poder transformador da Educação” têm oportunizado momentos de grande emoção aos educadores – como foi o caso das professoras Rosemer Correia, Celinha, Francisca Cardoso, Sol Paiva e Enedina Cardoso – que reencontraram seu antigo aluno, agora um adulto bem-sucedido, digno de aplausos pela história de superação.

Além disso, é muito gratificante ver nos olhos estudantes o brilho de quem se reconhece na narração por enfrentar desafios semelhantes aos dos palestrantes e a alegria de quem encontra esperança para além de suas limitações socioeconômicas, aprendendo a sonhar alto e a buscar a realização dos seus anseios.

Para professora Walquiria Bitonti, Secretária de Educação e Cultura, histórias como esta do Ademilson, são significativas para nossos estudantes, foi possível observar cada aluno, a atenção ao ouvi-lo, pois em nossa REDE existem  histórias bem parecidas, que precisam de coragem, garra e motivação para sermos protagonistas de nossa própria história, algo que a BNCC, (Base Nacional Comum Curricular) traz muito forte em seu documento e no atual momento vem sendo discutida na formação continuada junto aos professores.

 

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