Início » Após carga de minério afundar em rio no Pantanal, deputados acusam LHG Mining de sonegação

Após carga de minério afundar em rio no Pantanal, deputados acusam LHG Mining de sonegação

Parlamentares apontaram escassez de fiscalização e MPMS foi acionado para investigar empresa

por Redacao
0 comentários

Área de extração da LHG Mining, em Corumbá – Divulgação,/LHG Mining

Deputados estaduais de Mato Grosso do Sul denunciaram a empresa LHG Mining por danos ambientais, desgaste de infraestrutura pública e sonegação de impostos na região do Pantanal. As acusações surgiram após o acidente no Rio Paraguai no sábado (31), quando uma barcaça carregada de minério afundou nas águas e colocou autoridades ambientais em alerta.

O deputado Paulo Duarte (PSDB) usou o grande expediente da Alems (Assembleia Legislativa de MS) por mais de 30 minutos para criticar a atuação da empresa em Corumbá, seu reduto político, e anunciou ainda que vai protocolar uma representação no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para investigar a companhia.

Paulo Duarte acusa empresa de reduzir pagamentos de impostos mesmo com aumento de extração. (Foto: Wagner Guimarães/Alems)

Segundo o deputado, a produção da mineradora saltou de 3,5 milhões de toneladas em 2022 para 12 milhões em 2025. No entanto, o recolhimento da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) caiu de R$ 39 milhões para R$ 21 milhões no mesmo período.

“Quem fiscaliza é um órgão que é absolutamente inexistente do ponto de vista estrutural do Estado, que é a ANM, Agência Nacional de Mineração. Quem pode autuar e fiscalizar é essa agência. O município pode no máximo acompanhar — e tem acompanhado. Acompanha, manda pros caras em Brasília, e ninguém faz nada”, disse Duarte.

Impacto nas estradas e nos cofres públicos

Durante o debate na Alems, deputados relataram que o transporte de minério por carretas destruiu trechos de rodovias vicinais em Porto Esperança e da rodovia federal BR-262. De acordo com Paulo Duarte, o Governo de Mato Grosso do Sul gastou R$ 11 milhões em recursos públicos para recuperar a ponte sobre o Rio Paraguai, estrutura danificada pelo excesso de peso dos caminhões.

O deputado Pedrossian Neto (Republicanos) acrescentou que o custo de manutenção da BR-262 e da ponte recai sobre os impostos pagos pelos contribuintes. Em paralelo, a mineradora recebe incentivos fiscais do Estado para reduzir o pagamento da TFRM (Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Transporte de Recursos Minerais). Os parlamentares cobram a reativação do transporte de carga por ferrovias para retirar os caminhões pesados das rodovias.

Danos ao meio ambiente e à saúde

Rio ficou avermelhado após o acidente com barcaça. (Foto: Reprodução/Diário Corumbaense)

Uma barcaça a serviço da LHG afundou no Rio Paraguai no último sábado (31). A quantidade de minério depositada no leito do rio e o impacto na qualidade da água consumida pela comunidade do distrito de Antônio Maria Coelho não foram mensurados pela empresa.

Além do acidente fluvial, deputados expuseram o desafio enfrentado por moradores dos distritos de Antônio Maria Coelho e Porto Esperança, que enfrentam poluição diária por poeira de minério e água barrenta saindo da torneira. O material atinge residências e escolas localizadas próximas às rotas de escoamento e de embarque portuário.

Queda na arrecadação e negligência com a economia local

Segundo Paulo Duarte, que é economista de formação, a exportação do minério bruto não gera arrecadação estadual. A Lei Kandir, de 1997, garante isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para produtos primários destinados ao exterior.

No âmbito municipal, o parlamentar denunciou a queda dos repasses. De acordo com o deputado, que já foi prefeito da cidade pantaneira, a antiga operadora das minas, a Vale, destinava até R$ 1,5 milhão por ano para o Instituto Moinho Cultural em Corumbá, além de contratar empresas locais.

O deputado Zeca do PT informou que vai incluir o tema em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília, buscando tratar das denúncias contra a mineradora e debater a ausência de projetos de industrialização para o minério extraído no Estado.

Kemp apresentou requerimentos sobre atuação da empresa

Ainda no mesmo tema, o deputado Pedro Kemp (PT) apresentou dois requerimentos ao Governo do Estado e ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) com cobranças sobre os impactos da exploração da empresa em Corumbá.

O primeiro documento exige laudos laboratoriais para identificar a origem da contaminação da água na comunidade Antônio Maria Coelho, registrada em 29 de outubro. Segundo o parlamentar, moradores e uma escola local relatam receber água com coloração avermelhada nas torneiras.

O segundo requerimento solicita fiscalização imediata no Terminal Gregório Curvo, onde a barcaça da LHG afundou com cerca de mil toneladas de minério de ferro no dia 31 de outubro. Kemp pede a análise da água e dos sedimentos, além de estudos sobre o acúmulo de metais pesados nos peixes consumidos na região, com o objetivo de mensurar os riscos à saúde pública e à cadeia alimentar.

Nos ofícios, o deputado exige que o Estado apresente planos de contingência e garanta monitoramento independente das operações mineradoras.

Após a publicação da matéria, a LHG enviou nota à reportagem onde contesta supostos débitos tributários e busca explicas as circunstâncias do acidente com a barcaça no sábado (31). Confira a íntegra abaixo:

“A Lhg Mining reitera que paga os valores da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) em dia, reafirmando seu compromisso com a gestão transparente dos recursos minerais. A Lhg Mining informa que o incidente envolvendo uma barcaça de um armador contratado, ocorrido no sábado (31), não deixou feridos. O monitoramento ambiental sistemático realizado pela empresa não indica alterações na qualidade da água do Rio Paraguai associadas à ocorrência. A alteração momentânea na coloração da água, observada nas imediações da embarcação, foi de curta duração, em um trecho de elevada vazão do rio. A barcaça transportava exclusivamente minério de ferro, material de ocorrência natural e abundante na região, e não continha combustíveis, óleos lubrificantes ou outros produtos químicos. A Lhg Mining segue acompanhando a situação, mantendo o monitoramento ambiental contínuo e colaborando com as autoridades competentes”.

A ANM também foi procurada, mas não retornou aos questionamentos do Jornal Midiamax. O espaço permanece aberto.

Você Pode Gostar

Deixe um Comentário