
No final da semana passada, a Defesa Civil teve de retirar galhos presos aos pilares da ponte na MS-339 – Foto: Redes Sociais
O nível do Rio Miranda subiu mais 50 centímetros entre a manhã de segunda-feira e a manhã desta terça-feira (13), atingindo a marca de 6,5 metros na régua instalada na ponte próxima à área urbana do município. Segundo a Defesa Civil Municipal, embora não tenha chovido forte nas cabeceiras nas últimas horas, o rio mantinha tendência de alta na medição realizada por volta das 8h.
Reconhecido como o rio mais piscoso do Pantanal e um dos mais expressivos do mundo em volume de pescado, o Miranda vinha enfrentando meses de severa estiagem. Antes da elevação das águas, cardumes com centenas de milhares de peixes foram flagrados subindo o leito.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Flávio Nogueira Machado, a cheia repentina traz um impacto positivo para a preservação fauna aquática:
“Com a subida das águas, os peixes ficam praticamente protegidos de uma possível pesca predatória, antecedendo até mesmo o início formal do período de defeso (piracema).”
Monitoramento das Famílias Ribeirinhas
Apesar da aproximação da água das residências situadas nas margens da área urbana, os moradores permanecem em suas casas. A Defesa Civil monitora o local continuamente, destacando que o cenário inspira maior gravidade caso o nível supere os 7,0 metros.
A expectativa atual, contudo, é de estabilização e declínio nas próximas horas. Como o volume d’água na região das cabeceiras já apresenta queda — a exemplo do distrito de Águas do Miranda (MS-345), onde o nível recuou cerca de um metro na segunda-feira —, a tendência é de vazante no perímetro urbano.
Fenômeno Inédito na Região
A cheia no mês de outubro é classificada pela coordenação local como um evento totalmente atípico. Flávio Nogueira Machado, de 49 anos e morador nativo de Miranda, relata nunca ter presenciado um volume de água deste porte nesta época do ano.
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Histórico da Região: Outubro costuma ser marcado por estiagem, estiagem prolongada e preocupação com incêndios florestais e abastecimento do gado nas fazendas.
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Período Convencional de Cheia: Historicamente, as cheias recorrentes no Pantanal ocorrem entre os meses de janeiro e março.
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Volume de Chuvas: As precipitações intensas tiveram início no dia 4 de outubro, acumulando cerca de 300 milímetros ao longo da semana.
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Evolução do Nível: Em apenas nove dias, o Rio Miranda subiu 4,4 metros — saltando de 2,1 metros no dia 5 de outubro para os atuais 6,5 metros nesta terça-feira.
Impactos na Bacia da Região: Rio Aquidauana
O reflexo das fortes chuvas também atingiu a Bacia do Rio Aquidauana. No último sábado (10), o Rio Aquidauana ultrapassou a marca de 8,2 metros na área urbana da cidade homônima. O transbordamento represou as águas do córrego João Dias, provocando alagamentos nas partes mais baixas e atingindo imóveis de comunidades ribeirinhas.
