
Investigadores do Ministério Público estão desde 06 horas na Santa Casa e outros endereços, inclusive em Dourados e Goiânia – Foto: Marcelo Victor
Em meio à onda de demissões de médicos e anestesistas, a Santa Casa de Campo Grande está sendo alvo da uma operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul para investigar supostos desvios de recursos públicos no maior hospital de Mato Grosso do Sul.
Em nota, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) informou que por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou, nesta sexta-feira (11), a Operação Antidotum, tendo como objetivo o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 trinta e seis mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Os nomes dos presos não foram divulgados por enquanto.
A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou a existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.
O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão de reais por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão
No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.
A apuração apontou que, somente no ano de 2025, a Operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 milhões à entidade.
Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração no curso das investigações.
A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.
“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como antídoto, e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.
De acordo com informações da assessoria do hospital, em torno de dez integrantes do Ministério Público e da polícia estão na Santa Casa desde 06:00 horas. Os principais alvos, segundo a assessoria, são as salas da presidência e do setor financeiro e de faturamentos.
MORTALIDADE
O advogado Osvaldo Meza acompanhou a atuação da promotoria no hospital e disse ter sido o autor de um pedido de investigação que levou à instauração da operação desta sexta-feira.
Ele entrou na Justiça com uma ação popular a alega que a mortalidade no hospital aumentou em 5% desde que atual presidente, Alir Terra Lima, assumiu o comando do hospital, em janeiro de 2023. “Essa operação é para colocar na cadeia que tem culpa pelos desvios de recursos públicos e pelo aumento nas mortes”, afirmou o advogado.
Mensalmente a Santa Casa recebe em torno de R$ 33 milhões do SUS, mas o valor considerado insuficiente para manter a estrutura. O hospital tem cerca de 640 leitos disponíveis para o sistema público, emprega aproximadamente 3,5 mil trabalhadores e tem contratados mais de mil médicos”.
De acordo com a administração entre os principais gastos mensais estão R$ 21,7 milhões com salários, R$ 8,1 milhões com pagamentos médicos, R$ 3,5 milhões com medicamentos e R$ 1,7 milhão com órteses, próteses e materiais especiais.
Por conta destes gastos, o hospital alega déficit mensal de R$ 13 milhões e por isso constantemente recebe aportes extras. No final de agosto a prefeitura e o Estado repassaram R$ 4 milhões, mas mesmo assim médicos que faziam cirurgias cardíacas infantis abandonaram a instituição, forçando famílias a procurarem cirurgias em outros estados. Fonte: Correio do Estado
