
Reunião histórica alinha setor produtivo, governos e comunidades tradicionais na busca por preservação com segurança jurídica e desenvolvimento – Foto: Aureo Audi/Gazeta do Pantanal
Representantes de praticamente todos os segmentos sociais e econômicos da região pantaneira estiveram reunidos em Miranda para discutir o futuro da bacia do Rio Salobra. Em pauta, a proposta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para a implantação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Delta do Salobra — projeto do Governo Federal que prevê a criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral em cerca de 60 mil hectares divididos entre Miranda e Bodoquena.

Deputado Federal Vander Loubet (PT) – Foto: Aureo Audi/Gazeta do Pantanal
Entre os participantes estavam o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni; o presidente do Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena, Adalto; o prefeito de Miranda, Fábio Florença; vereadores, representantes do INCRA, lideranças indígenas, ribeirinhos, produtores rurais, Ângelo Rabelo do Instituto Homem Pantaneiro e o deputado federal Vander Loubet.
Apesar das divergências pontuais sobre o impacto da área de preservação, o encontro culminou em uma posição unificada: o ordenamento territorial da região não pode ser imposto sem ouvir quem vive e produz na terra.
Diálogo, subsistência e direitos territoriais
As manifestações ao longo da reunião convergiram no princípio de que a proteção do Pantanal é inegociável, mas precisa andar de mãos dadas com a realidade socioeconômica local.
Para o líder indígena Daniel Júlio Filho, o processo democrático exige espaço para os povos originários, ribeirinhos, assentados e pequenos produtores, cuja subsistência está diretamente vinculada aos recursos da região. O INCRA reforçou essa diretriz ao se colocar à disposição para construir saídas técnicas que protejam as famílias da agricultura familiar.

Ângelo Rabelo, presidente do IHP – Foto: Aureo Audi/Gazeta do Pantanal
Já no setor produtivo e institucional, as lideranças cobraram rigor técnico e coordenação regional. O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, defendeu que a condução do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) permaneça sob responsabilidade das instâncias estaduais — via Imasul e Semadesc —, garantindo a escuta ativa das cadeias produtivas.
Ponte com Brasília e pacto pelo futuro
O alinhamento entre as diferentes esferas de governo também ganhou força no encontro. O prefeito de Miranda, Fábio Florença, destacou a importância de integrar as agendas municipal, estadual e federal para evitar prejuízos ao crescimento da região.
Na articulação com a União, o deputado federal Vander Loubet assumiu a responsabilidade de levar os pleitos locais diretamente ao Ministério do Meio Ambiente e ao ICMBio, abrindo caminho para uma repactuação do projeto.
Ao término da reunião, ficou selado o compromisso de buscar um modelo sustentável que una proteção ambiental, segurança jurídica aos proprietários rurais e respeito às comunidades tradicionais.
