
Prefeito de Terenos, Henrique Budke, está afastado das funções públicas, mas recebe salário sem trabalhar – Foto: Reprodução/Redes Sociais
O prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), pode reassumir a Prefeitura de Terenos após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) desta quarta-feira (24). Ele estava afastado do cargo há 8 meses após prisão na Operação Spotless, em setembro de 2025.
Quem exerce a função interinamente é o vice-prefeito Arlindo Landolfi (Republicanos). Agora, o ministro relator Ribeiro Dantas revogou as medidas que afastam Budke do cargo e todas as medidas ligadas ao exercício da função pública.
O prefeito é investigado por supostamente liderar um esquema de corrupção na prefeitura. Ele já havia conseguido um habeas corpus, que concedeu liberdade sob monitoramento de tornozeleira eletrônica.
Por outro lado, o ministro manteve todas as outras cautelares, como o monitoramento eletrônico. Assim, Henrique pode voltar à prefeitura, mas continuará com a tornozeleira. Ele ainda não poderá ter contato com outros investigados ou testemunhas nem poderá mexer em contratos ou licitações alvo da operação.
Budke também permanece proibido de firmar novos contratos com os empresários ou as empresas denunciadas no âmbito da ação.
“A decisão do Superior Tribunal de Justiça reconhece a desnecessidade da medida de afastamento do Prefeito Municipal, restabelecendo o exercício do mandato. O retorno ao cargo contribui para a restauração da normalidade administrativa e institucional do Município, reforçando a confiança de que a inocência de Henrique será demonstrada ao longo da instrução processual”, diz o texto.
Gaeco desmonta esquema de corrupção liderado por prefeito de Terenos
Em 9 de setembro de 2025, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagraram a Operação Spotless, contra um esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos.
Foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). O prefeito Henrique Budke (PSDB) é apontado como líder da organização criminosa.
A investigação apontou que o grupo liderado por Budke tinha núcleos com atuação bem definida. Servidores públicos fraudaram disputa em licitações, a fim de direcionar o resultado para favorecer empresas.
Os editais foram elaborados sob medida e simulavam competição legítima. Somente no último ano, as fraudes ultrapassaram os R$ 15 milhões.
O esquema ainda pagava propina para agentes públicos, que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços e aceleravam os processos internos para pagamentos de contratos.
A Operação Spotless foi deflagrada a partir das provas da Operação Velatus, realizada em agosto de 2024. O Gaeco e Gecoc obtiveram autorização da Justiça e confirmaram que Henrique Budke chefiava o esquema de corrupção.
Spotless é uma referência à necessidade de os processos de contratação da administração pública serem realizados sem manchas ou máculas. A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de MS), por meio do BPChoque (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).
Budke foi solto ainda em setembro de 2025 após obter habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O afastamento dele, que era voluntário, foi referendado pelo Judiciário.
Prefeito afastado e mais 25 são denunciados à Justiça
O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) denunciou o prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), e mais 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção na prefeitura.
Licitações de obras públicas eram direcionadas, e empresas se revezavam nos serviços, garantindo que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e a outros citados.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal [Henrique Budke]”, pontuou o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior. Fonte: Midiamaxuol

