
Prefeita de Campo Grande disse que esquema alvo do Gecoc nesta terça era de gestão passada – Foto: Reprodução
A prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou que vai exonerar os servidores presos na Operação Buraco sem Fim, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), em Campo Grande
. As investigações focam em contratos de tapa-buraco de 2018.
Em nota, o Executivo Municipal ressalta que os contratos foram firmados desde 2017, na gestão passada, do ex-prefeito e agora vereador, Marquinhos Trad (PV). A operação prendeu o ex-secretário de Obras de Campo Grande, Rudi Fiorese, e outras seis pessoas.
“A Sisep acompanha os trabalhos do Gecoc, de modo a colaborar com a lisura, transparência e esclarecimento dos fatos. Os servidores investigados estão sendo exonerados das funções a partir da data de hoje para que apresentem suas defesas”, garante.
Dos sete presos, três ainda eram servidores da Sisep. Além disso, a prefeitura afirma que adotará outras medidas que se fizerem necessárias no âmbito administrativo, para que os serviços de manutenção não sejam paralisados ou comprometidos em função dos acontecimentos.
Confira a lista de presos:
- Mehdi Talayeh, servidor da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos);
- Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil;
- Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura;
- Fernando de Souza Oliveira, servidor da Sisep;
- Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, produtor rural e dono da Construtora Rial;
- Edivaldo Aquino Pereira, chefe do serviço de tapa-buraco da Sisep;
- Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidor da Sisep.
Exceto Antonio Bittencourt e Antonio Roberto Bittencourt, todos os outros são réus na Operação Cascalhos de Areia, que apura fraudes em contratos com empreiteiras por manutenção de vias não pavimentadas durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad.
Operação Buraco sem Fim
Em 12 de maio de 2026, o MPMS deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buraco.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço do ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.
Gestão Marquinhos
Vereador e ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos saiu em defesa de Rudi Fiorese, seu ex-secretário municipal de Obras. Ele disse confiar na conduta do antigo subordinado, que teria sido escolhido pelo currículo e histórico profissional.
“Tenho certeza de que ele é uma pessoa correta, honesta e decente. Durante todo o período em que trabalhou na administração, nunca me trouxe qualquer contratempo”, declarou o vereador.
Marquinhos esclareceu que os contratos na gestão dele (2017-2022) foram fiscalizados pelos órgãos de controle, e questionamentos devem ser apurados com responsabilidade, garantindo direito de defesa.
O vereador ainda afirmou que, como prefeito, buscou reduzir o tapa-buraco e priorizou obras de recapeamento. “Sempre defendemos uma gestão técnica, responsável e transparente. Confiamos nas instituições, mas também acreditamos que toda investigação deve ocorrer com equilíbrio, responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, concluiu.
Diretor-Presidente da Agesul
Fiorese assumiu como titular da Sisep em 2017, deixou o cargo em 2023 e foi nomeado diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) em fevereiro de 2026. Nesta terça, o Governo do Estado emitiu nota informando que Rudi foi exonerado após a notícia da prisão dele durante a operação. Fonte: Midiamaxuol
