De atestado médico desde o dia 25 de novembro, a secretária municipal de Fazenda, Márcia Helena Hokama, não escondeu a satisfação em participar de corrida de rua neste fim de semana. Ela foi fotografada finalizando o percurso de 10 km na 11ª edição da Bonito 21k, que aconteceu nos dias 5 e 6.
Márcia Helena ficou em 23º lugar da categoria (competidoras com idade entre 50 e 59 anos) e na 273ª posição na classificação geral, conforme certificado disponível no site do evento esportivo que reuniu um total de 2.870 corredores em Bonito, o destino turístico mais famoso de Mato Grosso do Sul.
A secretária também foi fotografada 86 vezes ao longo do trajeto que fez em 1 hora e 14 minutos. As fotos estão no site Fotop, que disponibiliza imagens para venda.

Márcia Helena Hokama explica que sofre de estresse e praticar atividade física foi recomendação médica – Foto: Reprodução/Campo Grande News
A titular da Sefaz explica que está afastada para cuidar da saúde mental. “Meu atestado é por estresse e ansiedade. A atividade física para estes casos é altamente recomendada”.
“Sumiço” – Em meio à crise financeira sem precedentes, a Prefeitura de Campo Grande perdeu comando importante na “guerra” pelo equilíbrio das contas. Outras movimentações na Secretaria Municipal de Fazenda, como a demissão de duas servidoras nesta quarta-feira (3), chamam a atenção. Enquanto isso, as contas do município são inspecionadas por olhares de fora: uma auditora fiscal e um contador tributarista de Brasília (DF).
Márcia Helena Hokama só volta ao trabalho no dia 10. O último ato da titular da Sefaz (Secretaria Municipal de Fazenda) antes de deixar o trabalho foi a liberação de R$ 792.920 em crédito suplementar – recurso não previsto no orçamento para pagar despesas.
Durante a licença médica da titular, o adjunto Isaac José de Araújo assume a “bronca”, enquanto uma equipe externa, formada por uma auditora fiscal e um contador tributarista de Brasília, iniciou um pente-fino nas contas do município.
A consultoria contratada pela prefeitura para diagnosticar a situação fiscal e propor modernização da gestão é o IFP (Instituto de Finanças Públicas), empresa criada em março e comandada por Selene Peres Peres Nunes, ex-secretária de Economia de Goiás, e pelo contador Rafael Peres Peres Nunes Altoé.
A contratação ocorreu no mesmo dia em que a secretária entrou em licença. Márcia enfrenta há algum tempo desgaste político e pressões decorrentes de crises no transporte, saúde e cobranças da Câmara de Campo Grande. Recentemente, provocou a ira de vereadores ao faltar à convocação para dar explicações sobre a crise. A secretária alegou problema de saúde depois de não aparecer.
O quadro financeiro se agravou com a divulgação do Relatório Resumido da Execução Orçamentária, que apontou consumo de 99,94% das receitas arrecadadas em 12 meses, acendendo alerta máximo na administração. O município já opera desde março em regime de contenção de despesas, e a prefeita Adriane Lopes prorrogou o decreto de corte de gastos até 31 de dezembro. Diante da quase total absorção da arrecadação pelas despesas obrigatórias, foi acionado o chamado “gatilho fiscal”, mecanismo previsto na Constituição para situações de emergência financeira. Fonte: Campo Grande News
