
IA foi desenvolvida para checar antecedentes de parceiros ou futuros companheiros – Foto: Aletheya Alves
Você sabe com quem está se relacionando? Foi a brutalidade do caso da jornalista Vanessa Ricarte que fez Sabrine Matos, de 29 anos, criar uma IA (inteligência artificial) para que as mulheres não ficassem mais à mercê das palavras de companheiros e futuros parceiros. Para ajudar a evitar tragédias como a da sul-mato-grossense, ela desenvolveu uma ferramenta para que as mulheres chequem os antecedentes criminais dos homens antes dos famosos dates, ou encontros amorosos.
Ao Lado B, a curitibana explica que o estopim para colocar a ideia em prática foi o choque de ouvir os áudios de Vanessa pedindo ajuda na delegacia e sendo tratada com descaso. A morte da profissional, assassinada pelo ex-noivo em fevereiro, não saiu da cabeça dela.
“Ouvir o tratamento que ela teve na delegacia me deixou totalmente em choque. Pensei que não tínhamos nenhum tipo de rastreamento sobre isso na cidade, no estado e no país, focado em preservar a anonimidade das usuárias. Trabalho com marketing, tecnologia e dados há mais de 10 anos e este ano, quando vi que existiam plataformas de IA para desenvolver produtos, fiquei com a ideia de fazer algo. Aí vi a reportagem sobre a Vanessa e comecei as pesquisas para desenvolver a plataforma”.
Foram dois meses de pesquisas e preparo da IA. Ela conta que tudo começou em abril, mas que o recurso só ficou disponível ao público em junho. O intuito era que fosse simples, com uma linguagem igualmente simples e acessível.
“É uma plataforma muito simples e você precisa apenas do nome e telefone para conseguir buscar os antecedentes. A parte mais difícil foi fazer o tratamento de dados, ter certeza de que estão certos. Trabalhamos muito na tecnologia para desenvolver isso. O nome Plinq ficou porque eu queria algo curto e internacional”.

Sabrine desenvolveu o recurso com mais duas pessoas, Felipe Bahia e Micael Marques, em uma plataforma de inteligência artificial sueca onde não era preciso conhecimento em programação.
Mas afinal, como funciona?
O processo é fácil. Basta entrar no site, digitar o nome completo da pessoa, telefone e data de nascimento para começar a busca. Em seguida, quem está pesquisando receberá um relatório no WhatsApp sobre os antecedentes criminais, processos judiciais e uma avaliação de risco gerada pela própria IA, chamada de bandeiras: Red Flag (bandeira vermelha), sinal de perigo extremo; Yellow Flag (bandeira amarela), atenção; e Green Flag (bandeira verde).
A IA oferece uma espécie de tradutor jurídico que explica, de forma clara, o que cada processo significa. No caso da Red Flag, ela orienta a usuária a proceder com extrema cautela, considerando que pode haver processos em segredo de justiça que dificultam saber se o homem pesquisado é vítima, acusado ou outra parte.
A Green Flag não significa segurança plena e a ausência de registros públicos não garante que a pessoa não tenha passado por situações que não estejam registradas.
Sabrine destaca que a consulta é confidencial. A pessoa consultada não saberá que a pesquisa foi realizada e que os dados e as buscas da usuária estão protegidos.
“Hoje temos mais de 28 mil usuárias e mais de 30 mil pesquisas realizadas na plataforma. Me surpreendi com o resultado. Já temos mais de 200 casos catalogados de usuárias, como o de uma que ia pegar carona, mas checou na Plinq e descobriu que o motorista tinha condenação por homicídio. Saber que a gente causa impacto na vida das pessoas é surpreendente.”.

Apesar de inovador, o recurso não é gratuito, pelo menos por enquanto. A plataforma opera em dois modelos de uso: R$ 27 para consulta avulsa e R$ 97 para consultas ilimitadas.
Segundo Sabrine, oferecer tudo gratuitamente é um objetivo, mas para isso seria necessário que alguma instituição arcasse com os custos, possibilidade que já vem sendo discutida com secretarias de alguns estados interessadas em levar a ferramenta como política pública.
O projeto precisou ser financiado para existir e, até o momento, faturou mais de R$ 250 mil. A expectativa é alcançar três milhões de usuárias futuramente. Fonte: Campo Grande News
Sabrine Matos criou IA após caso de jornalista morta em Campo Grande Foto: Reprodução.

