Início » Dia da Onça: tecnologia revela desafios da sobrevivência no Pantanal

Dia da Onça: tecnologia revela desafios da sobrevivência no Pantanal

Colares de monitoramento mapeiam hábitos, deslocamento e áreas de risco, além de colaborarem com o ecoturismo e a proteção do felino

por Redacao
0 comentários

Onça-pintada monitorada pelo IHP – Foto: Diego Viana/IHP

O Dia Nacional da Onça-Pintada, celebrado neste 29 de novembro, foi criado para reforçar a importância da conservação do felino, símbolo do Pantanal sul-mato-grossense e peça-chave para o equilíbrio dos ecossistemas brasileiros. No entanto, a data chama atenção para as ameaças que a espécie enfrenta, como a perda de habitat, a caça ilegal e os conflitos de coexistência com os humanos. Em , estado onde o animal é ícone do turismo de natureza, a espécie ganha ainda mais relevância ao conectar pesquisa científica, educação ambiental e ecoturismo.

Um desses projetos, desenvolvido pelo IHP (Instituto Homem Pantaneiro), envolve a utilização de colares de monitoramento, que revelam dados sobre os hábitos de deslocamento, comportamento e riscos que ameaçam a sobrevivência da espécie no Pantanal. A tecnologia, aliada à pesquisa científica, tem orientado ações de conservação e fortalecido áreas protegidas, além de ser um forte instrumento para guiar políticas públicas de preservação.

Além disso, no Estado onde o ecoturismo e a vida selvagem caminham lado a lado, os dados de monitoramento também têm desempenhado uma importante função ao auxiliar a atividade turística, aproximando visitantes da importância da preservação. Para os pesquisadores, cada trilha guiada, cada animal avistado e cada experiência educativa pode plantar a ‘semente’ que fará florescer os futuros guardiões do Pantanal.

Como funciona o monitoramento?

Os colares utilizam a tecnologia de monitoramento por GPS e sinal de rádio VHF. Além dos colares, é utilizado equipamento fotográfico para registrar o comportamento do animal, sem a necessidade de se deslocar até ele para checar suas condições físicas. Conforme explica o médico-veterinário e analista ambiental do IHP, Luka Gonçalves, a vida útil de um colar depende da potência da bateria e da quantidade de sinais que o equipamento é configurado para disparar por dia. Quanto mais sinais enviados, mais bateria é consumida.

Atualmente, os colares utilizados no Instituto têm vida útil de um ano e são configurados para disparar um sinal de GPS por hora (totalizando 24 em um dia), além de serem programados para funcionarem via rádio, das 6h às 17h, diariamente. O ideal é que a troca ou manutenção do colar seja feita dentro do prazo de 12 meses, para garantir que a equipe não perca a localização do animal.

“O sinal VHF, que é um sinal de rádio, faz o colar disparar o GPS pro satélite, que é o que a gente consegue usar para rastrear com uma antena onde o animal está. [Quando precisa trocar, ao localizar o animal na natureza, a equipe] dispara um dardo tranquilizante, e, assim que o animal deitar e dormir, a gente pode ir atrás dele para fazer a manutenção do colar”, explica Luka.

Outro equipamento utilizado no monitoramento é a bioacústica, a qual permite captar os sons da natureza, que são posteriormente colocados em um espectrofotograma — utilizado para gerar um mapa ou gráfico que representa um espectro, obtido a partir do uso de um espectrofotômetro. Isso permite que o Instituto possa diferenciar as onças pelo tipo de vibração de cada uma.

Você Pode Gostar

Deixe um Comentário