
A trajetória da douradense Onna Silva pode ser resumida no tripé superação, talento e determinação – Foto: Divulgação
Da infância tranquila no Jardim Flórida aos estúdios da rede Globo, trabalhando com atrizes e atores que admirava quando assistia suas participações nas novelas da época, como Tais Araujo, Renata Sorrah, a trajetória da douradense Onna Silva pode ser resumida no tripé superação, talento e determinação.
Se a infancia foi tranquila, com a descoberta da vocação para o teatro nas peças e outras atividades e dinâmicas artisticas das quais participava na Escola Reis Veloso, houve também os momentos em que foi necessário coragem e auto-estima. Aos 13 anos começou a trabalhar como menor aprendiz, exercendo mais tarde a função de assistente administrativo.
Aos 18 concluiu o ensino médio e foi aprovada no vertibular para Educação Física da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) em 2016. No mesmo ano da aprovação na Universidade tomou a descisão de fazer o que na medicina se chama “transicionar”. Mesmo antes do processo de transição, o preconceito falou alto e, ao anunciar a decisão, foi demitida. Após a mudança, enfentou igual visão enviesada por parte de alguns colegas da UFGD. Em casa a decisão muito bem pensada também não foi bem aceita. Em uma dessas ironias da vida, foi trabalhar como empregada doméstica e após seis meses na atividade foi “descoberta” pelo diretor Thiago Rotta, um dos expoentes do cinema em Dourados. Aprovada no teste de elenco, participou do filme “Natasha”, dirigido por Rotta. Em 2017 mudou-se para o Rio de Janeiro e deu sequencia à vocação descoberta ainda nos tempos de escola: se tornou atriz e modelo em renomadas produções de cinema, moda, publicidade e streaming. Em parceria com Guilhermina Urze e Luane Domingos, é também uma das CEO’s e diretora criativa do podcast #aromadetravesti.Aos 25 anos, vem tendo uma trajetória de sucesso, fruto do tripé citado no inicio da reportagem: superação, talento e determinação.
A ascensão foi gradativa, com a disciplina de se aprimorar para assim ganhar mais espaço no mundo artistico e e de comunicação. Atuou no longa metragem @medidaprovisoriaofilme dirigido por Lázaro Ramos, deu vida a Nara Leão no filme musical Chega de Saudade, fêz parte do elenco da série As Five do @globoplay e hero de campanhas nacionais como @spotifybrasil @avonbrasil @salonlinebrasil e @appdaki. Recentemente foi apresentadora de premiações nacionais de cinema e publicidade como o Prêmio @abcine e Troféu Garra da @appbrasil.
Superando barreiras e quebrando expectativas, Onna foi taxativa, na entrevista a O Progresso: “Meu objetivo é continuar crescendo e inspirando novas gerações com humor, carisma e verdade”.Uma das novidades que vem por aí é o podcast “Café com aroma de travesti”. “O podcast nasce a partir de um insight de que, o que 3 travestis conversam tomando um café, pode ser político, genuíno, descontraído e muito disruptivo”, detalhou Onna.
Abordaremos temas da atualidade sobre autoanálise dos nossos comportamentos pessoais e sociais e também sobre o que nós recebemos e analisamos da conduta e hábitos de um sistema cisgenero, machista e, como dizem, “inconsciente”. Mas por que inconsciente?”, indaga a multimidia.”Muitas das vezes esses padrões comportamentais são reproduzidos há gerações e por natureza não questionamos coisas simples, mas que na psiquê revelam muito sobre quem somos, de onde viemos, o que queremos”, ponderou. O “Café com aroma de travesti” quer provocar e despertar nas pessoas seus questionamentos, suas ambições e seu bem estar. O podcast, continua, pretende através de reflexões coletivas/sociais, nossa premissa sempre será pautada nos quesitos raça e gênero, buscando visar protagonismo em corpos Trans, Travestis e Trans masculinos, e através de cultura, arte, diálogo e debates pertinentes “deseducar” a CisNorma do que classifica como “entranhas viciosas, que criam uma visão achincalhada sobre nós”. “O “Café com aroma de travesti” terá compromisso com ética e caráter, tentando de uma maneira metodológica/estratégica alegre mostrar que através de nossas vozes podemos ser protagonistas de nossas histórias, dessaraigando esse preconceito histórico e sem lugar em pleno século 21″, concluiu Onna Silva. Com informações do OProgresso

