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Índios terenas repudiam manifestações xenófobas contra nordestinos

por Redacao
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Anderson Benites

Após o encerramento das eleições de Primeiro turno, que deu a vitória ao candidato do PT, ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as redes sociais foram tomadas por manifestações de ataques de xenofobia aos eleitores da região Nordeste.

Uma onda de ataques a nordestinos nas redes sociais se estabeleceu conforme a apuração dos votos mostrou o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos nove estados que compõem a região. As mensagens partiam principalmente de perfis anônimos, mas que se identificam como apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), e reduziam o Nordeste a uma imagem de pobreza e subdesenvolvimento e analfabetismo.

Lindomar Terena, Coordenador do Conselho do Povo Terena, Juarez Fonseca e Carlos Jacobina, lideranças das aldeias Mãe Terra e Passarinho – Foto: Áureo Audi/Gazeta do Pantanal

Segundo divulgou a central da ONG de proteção aos Direitos Humanos Safernet Brasil  foram registradas  14 denúncias de xenofobia por hora na último dia 3 de outubro . Ao todo, foram 348 registros no dia após o primeiro turno das eleições. O número quase supera o total de reclamações registrado nos primeiros seis meses do ano passado (358). No domingo, dia do pleito, foram registradas 10 denúncias.

Indígenas de Miranda Repudiam ataques a nordestinos

Ataques contra nordestinos, despertou a revolta e indignação dos índios da etnia terena no município de Miranda, cidade localizada á 210 km da Capital do Estado.

Juarez Fonseca e Carlos Jacobina, lideranças das aldeias Mãe Terra e Passarinho, destacaram a importância do povo nordestino na construção do Brasil. “Um povo trabalhador, criativo, que muito contribuiu e contribui para o desenvolvimento do país. A mão de obra do trabalhador e da trabalhadora da região nordeste , estão presentes em todos os setores da economia brasileira. Somos solidários aos brasileiros do nordeste. Repudiamos toda e qualquer forma de preconceito e discriminação. O Brasil vive, ainda em uma democracia. Esperamos, e vamos lutar para que a democracia brasileira não sucumba. Estamos atentos, fortes e solidários aos nossos irmãos nordestinos”, enfatizaram.

Lindomar Terena, Coordenador do Conselho do Povo Terena, também destacou a importância de seu povo em manifestar apoio e solidariedade aos eleitores nordestinos. “O que estão fazendo com o povo do nordeste, nós indígenas estamos vivenciando há mais de 500 anos. O preconceito está presentes na vida do indígena brasileiro desde sempre. Fomos fundamentais quando lutamos na guerra do Paraguai para garantir  a manutenção do nosso território, fomos fundamentais na construção da cidade, nos setores da construção civil, do plantio dentre outros. A população indígena sai pra o trabalho de corte de cana, raleio de maçãs, colheita de morangos e , quando retornam é no comercio local que injetam o dinheiro. Não é possível mais que a sociedade não compreenda que nao há mais lugar para o retrocesso. Nós, população indígena não vamos abaixar a cabeça, não vamos nos calar. E somos solidários aos nossos irmãos nordestinos”, encerrou.

“Esta reportagem foi produzida com apoio do programa Diversidade nas Redações, da Énois, um laboratório de jornalismo que trabalha para fortalecer a diversidade e inclusão no jornalismo brasileiro. Confira as metodologias na Caixa de Ferramentas”

 

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