A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta uma sociedade com medo da violência. Em números absolutos são pelo menos 50 milhões de pessoas atingidas diretamente por ela.
Outro dado preocupante do levantamento mostra a violência do Estado. Mais de um a cada 10 brasileiros já perderam um amigo ou parente por homicídios praticados por policiais. São pelo menos 16 milhões de pessoas nessa situação.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, a proporção de pessoas afetadas pela violência do Estado chega a quase dois para cada 10.
Mas o estudo também mostra os caminhos que a sociedade aponta para a solução do problema. Mais de 90% dos entrevistados avaliaram que a polícia deve preservar a vida acima de tudo e que todos tem direitos iguais e devem ser preservados.
Mas para Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Forum Brasileiro de Segurança Pública, o que mais chama atenção é que para 96% da população brasileira é preciso integrar as ações das forças de segurança.
“Ninguém quer saber se a Polícia Civil tem um problema junto com a Polícia Militar, com o Ministério Público, com o Executivo, com o Judiciário. Na verdade, a gente quer soluções articuladas e coordenadas, que respondam ao problema e que a gente não fique enxugando gelo, que a gente não fique empurrando o problema por aspectos que são, na verdade, descolados da realidade. A mensagem que tá aqui é que a população quer união, integração, mas não quer qualquer saída, quer garantia de direitos, segurança é igual a não só a prevenção do crime e a violência, mas também a garantia de direitos. Essa é a mensagem que sai dessa pesquisa.”
Como exemplo da desarticulação das ações, Renato aponta o corte de 43% no orçamento previsto para o Plano Nacional de Segurança Pública anunciado no começo do ano pelo ex-ministro Alexandre de Moraes.
O estudo do Fórum Brasileiro, batizado como Instinto de Vida, faz referência à campanha latino-americana de mesmo nome que está sendo lançada nessa segunda-feira (08). A meta é reduzir pela metade os homicídios nos próximos 10 anos na região, incluindo Brasil.
