A Delegacia da Polícia Federal de Dourados cumpriu mandado de reintegração de posse de uma área ocupada por indígenas na rodovia BR-463, de acesso à fronteira. De acordo com os índios, o local que chamam de Tekoha Apika’y é terra indígena.
Nos últimos anos de ocupação em diferentes pontos daquela fazenda, esta população viveu de forma miserável, sem saneamento básico, habitação digna e perdendo seus filhos atropelados naquela rodovia de intenso tráfego.

Em 4 anos, 8 índios morreram atropelados na rodovia BR-463
Em maio do ano passado, a 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados revogou liminar que determinava à União a compra de 30 hectares daquela terra. Desta forma, voltava a valer a ordem de reintegração de posse contra o grupo, que ocupa atualmente pequena área de mata dentro do território reivindicado pela comunidade, na Fazenda Serrana.
A decisão também considerou extinto o processo ajuizado pelo Ministério Público Federal em Dourados, que pedia a compra da área enquanto não for finalizada a demarcação da Terra Indígena Apika’y pela Funai. A Justiça cita a impossibilidade do “Judiciário dar ordem à Presidência da República para que desaproprie a área em questão. Em 4 anos, 8 índios morreram atropelados na rodovia, 5 deles da mesma família, sendo 3 em um período de apenas um ano.
Curral do Arame
A comunidade indígena de Curral do Arame é uma das mais miseráveis de Mato Grosso do Sul. Os guarani-kaiowá viveram durante 12 anos em barracos improvisados, sem instalações sanitárias e acesso a energia elétrica, cozinhando em fogões improvisados o pouco alimento.
Segundo estudo antropológico da Funai, os índios da comunidade foram expulsos de suas terras tradicionais para a expansão da agricultura e da pecuária. Parte desta população foi recrutada para trabalhar em fazendas da região como mão de obra barata até que se tornaram “incompatíveis” com a produção.
Os índios resistiram em deixar as terras, ocupando áreas de reserva legal de propriedades rurais, mas foram obrigados a fugir após a morte do patriarca da família, Hilário Cário de Souza, em 1999, atropelado.
Desde então, os guarani passaram a viver na fina faixa de domínio da rodovia, em barracos improvisados, em frente à terra que reivindicam como tradicional. Além das precárias condições estruturais, o acampamento indígena Curral do Arame já foi queimado duas vezes, a última em grande incêndio ocorrido na região em 2013. (Com informações do MP)
