Antes que o fogo sagrado ilumine a Arena Verde, que vai receber os jogos competitivos e demonstrativos, povos indígenas do país e do mundo estão reunidos para alinhar os preparativos finais do evento e também celebrar a culturas indígenas – por enquanto, apenas entre eles. Desde ontem (20) até nesta
sexta-feira, data da abertura oficial dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, as delegações participam de eventos preparatórios restritos aos indígenas, como o congresso técnico e o Festival de Cultura Indígena. As regras de cada uma das modalidades, datas, horários de provas e número de participantes estão sendo repassados e discutidos no congresso técnico, que conta com a participação das lideranças. A atividade foi dividida em três etapas: uma, com indígenas falantes da língua inglesa, outra com participantes que falam espanhol e a última, com etnias brasileiras.
Responsável pela parte esportiva dos Jogos, o organizador Carlos Terena, do Comitê Intertribal (ITC), salienta a necessidade de discutir o programa: “Este é um evento que está sendo feito pela primeira vez, então a gente está aprendendo também. Não é como as Olimpíadas, que as regras do basquete, futebol e demais esportes, cujas regras já estão prontas. Aqui estamos criando”.
O sorteio das partidas de futebol está previsto para acontecer nesta quarta (21). A organização também vai promover treinos de aclimatação, para que os indígenas brasileiros e estrangeiros possam se habituar a equipamentos como a canoa, o remo, o arco e a flecha e também entrar em contato com as águas do ribeirão Taquaraçu-Grande. “Estamos ensinando também aos irmãos estrangeiros como são os Jogos brasileiros”, explica Terena.
O acesso à Vila dos Jogos, que está em fase de “ajustes finos”, segundo a organização, ainda não foi autorizado. A Okara, a aldeia dos povos brasileiros, e as escolas municipais que recebem os participantes que vieram do exterior, só tem entrada liberada aos indígenas. A Oca da Sabedoria recebe, desde ontem, o Festival Internacional de Cultura Indígena, um evento fechado com apresentações artísticas, culturais e espirituais.
O fato dos primeiros encontros serem limitados aos povos tradicionais ilustra a dinâmica particular dos Jogos dos Povos Indígenas: “A metodologia das atividades indígenas é diferente”, conta Carlos Terena. A participação de não-indígenas em eventos como o acendimento do fogo sagrado, não é garantida: de acordo com os organizadores, a liberação depende do aceite dos pajés e caciques. Até mesmo o local deste ritual ainda é desconhecido: somente no dia da cerimônia é que as lideranças espirituais indicarão o lugar exato, que acontecerá durante o pôr do sol.
Outra marca dos Jogos sãos as apresentações espontâneas, que acontecem sem programação prévia. Homens e mulheres dos povos kayapó, do Pará, e kamayurá, do Xingu, mostraram suas danças típicas na região da Vila dos Jogos nesta terça-feira. A organização explicou que isto acontece “porque os Jogos dos Povos Indígenas acontecem de forma instantânea, no tempo e na espiritualidade deles”.

